ANÁLISE-Em alta, preço do boi terá dificuldade para bater recorde

sexta-feira, 4 de outubro de 2013 08:48 BRT
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 3 Out (Reuters) - Após registrar forte alta em setembro, o preço da arroba bovina no Brasil pode até continuar subindo, mas dificilmente irá renovar o recorde histórico registrado em 2010, por conta da menor disposição do consumidor em aceitar valores ainda mais elevados para a carne.

O indicador Esalq/BM&FBovespa, cotado atualmente a cerca de 110 reais por arroba, encerrou setembro com alta de 6,5 por cento, aproximando-se em valores nominais do recorde de novembro de 2010, perto de 115 reais por arroba, devido à forte demanda interna e externa.

Mas há um teto para esses preços, segundo a consultora da INTL FCStone Lygia Pimentel e outros especialistas.

Lygia considera que o espaço para altas maiores é limitado pelo poder de compra do brasileiro, que consome 80 por cento da produção total de carne e enfrenta níveis crescentes de endividamento.

"O poder de compra do brasileiro está mais baixo por causa do endividamento... O consumo segue em patamar sustentado, mas o ímpeto do brasileiro em aceitar preços mais altos agora é menor", disse Lygia.

Cálculos da Informa Economics FNP indicam que a arroba teria que subir para 131 reais para superar a marca registrada em novembro de 2010, em termos reais, considerando a inflação no período.

"O pico de preços de 2010 ainda não foi atingido em valores reais, pode ser até que iguale, mas é difícil superar... A crise de oferta (de animais) era muito maior no passado", disse o diretor técnico da Informa, José Vicente Ferraz.

O analista observou que o confinamento --sistema de engorda de animais no período mais seco do ano-- ficou abaixo do esperado por conta do alto custo do boi magro.   Continuação...