Expansão de energia no longo prazo pode ter nuclear com participação privada

segunda-feira, 7 de outubro de 2013 16:39 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 7 Out (Reuters) - O governo federal estuda investimentos na energia nuclear com participação privada como uma alternativa à expansão hidrelétrica no plano de longo prazo, disse o secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, nesta segunda-feira.

Segundo ele, o potencial hidrelétrico do Brasil deve se esgotar entre 2025 e 2030 e o governo terá que buscar uma outra alternativa para atender o crescimento da demanda de energia. Entre as possibilidades estão térmicas a gás natural, a carvão e nuclear.

"Vamos ter que expandir com outras fontes de geração. É claro que a eficiência da energia, com a repotenciação de usinas, a energia solar, a energia eólica, todas terão um papel importante, porém complementar. Para atender um país que cresce de 4 mil a 5 mil megawatts (MW) ao ano, será necessário ter um novo carro-chefe, que são as fontes térmicas", disse ele a jornalistas após evento do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE/UFRJ).

O Plano Nacional de Energia 2030, que estabelece diretrizes para a expansão da matriz energética do país no longo prazo, estima 4 novas usinas nucleares, de em média 1.000 MW cada uma. Esse plano está sendo atualizado para até 2050, segundo Altino, que disse que o programa nuclear brasileiro deve ter continuidade e, provavelmente, com a opção de construção de mais outras usinas.

"Esse estudo está sendo feito e provavelmente teremos uma continuidade do programa nuclear", disse ele.

Altino disse também que o modelo para nucleares está sendo debatido pelo governo e uma das possibilidades consideradas é a participação de empresas privadas no investimento -- incluindo para o potencial de expansão nuclear já considerado no plano 2030.

"Esse é um dos aspectos que está sendo considerado. Outro aspecto é o da comercialização de energia --porque a nuclear não entra no leilão A-5-- e a escolha dos sítios", disse.

"Não entendemos que o programa nuclear seria puramente estatal. A experiência que temos nas SPEs (sociedades de propósito específico) em geração e transmissão de energia é desejável que seja estendida para nuclear", acrescentou.

Atualmente, as usinas nucleares brasileiras de Angra são operadas pela Eletronuclear, do grupo da estatal federal Eletrobras.

(Por Rodrigo Viga Gaier)