8 de Outubro de 2013 / às 14:29 / 4 anos atrás

FMI reduz estimativa de crescimento mundial, alerta para apatia prolongada

WASHINGTON, 8 Out (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas previsões para o crescimento da economia mundial pela sexta vez desde o começo do ano passado, citando que a maior expansão nas economias desenvolvidas não compensará a desaceleração nos mercados emergentes.

A perspectiva para países emergentes, que vinham sendo o motor da recuperação global, ficou um pouco mais obscura por fatores estruturais e cíclicos, afirmou o FMI no relatório Perspectiva Econômica Mundial.

Os Estados Unidos estão conduzindo grande parte da recuperação global e a produção norte-americana deve acelerar mais no próximo ano --contanto que a política não atrapalhe, informou o FMI, referindo-se ao prolongamento do impasse em relação ao teto da dívida do país de 16,7 trilhões de dólares.

"Um fracasso em aumentar o teto da dívida, levando ao default seletivo dos EUA, pode seriamente prejudicar a economia global", alertou o FMI no relatório Perspectiva Econômica Global, divulgada antes de suas reuniões semestrais ainda nesta semana.

"As autoridades têm mostrado sua determinação em manter a economia global longe do abismo. Apesar de novos eventos que levem ao abismo, uma preocupação crescente é um período prolongado de crescimento global lento", acrescentou o Fundo.

Para 2013, o FMI espera agora que a atividade econômica global cresça apenas 2,9 por cento, abaixo de sua estimativa de julho de 3,1 por cento, o que se concretizado seria o ano mais lento de expansão desde 2009. O FMI previu uma aceleração modesta no próximo ano para 3,6 por cento, abaixo da estimativa de julho de 3,8 por cento.

Os mercados emergentes ainda representam grande parte do crescimento global, e suas economias devem crescer em ritmo aproximadamente quatro vezes mais rápido do que as economias desenvolvidas. Mas os crescimentos impetuosos que alguns desfrutaram nos últimos anos pode ser uma coisa do passado, segundo o FMI.

A China, em particular, deve desacelerar no médio prazo conforme sua economia faz uma transição do investimento para o consumo como ímpeto condutor. Os mercados não têm mais a expectativa de que o governo chinês irá entrar com estímulos se o crescimento cair abaixo de 7,5 por cento, informou o FMI.

O crescimento menor na segunda maior economia do mundo pode se espalhar para outros países, especialmente os exportadores de commodities que dependem da forte demanda chinesa por energia.

O FMI também destacou o risco de condições financeiras mais apertadas, na medida em que os mercados se preparam para o fim da política monetária ultrafrouxa dos Estados Unidos.

O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que é o momento para o banco central norte-americano se preparar para a saída de seu programa de compra de títulos maciço, mas alertou sobre a possibilidade de uma transição difícil para os mercados financeiros.

"Os problemas de comunicação diante do Federal Reserve são novos e delicados", escreveu ele na introdução. "É razoável esperar certa volatilidade nas taxas de longo prazo com a mudança de política do Fed".

Nos Estados Unidos, os cortes de gastos do governo federal em geral no início do ano devem subtrair 2,5 por cento da produção em 2013, de acordo com o FMI. Mas a recuperação no setor imobiliário deve contribuir para o crescimento econômico de 2,6 por cento no próximo ano, impedindo qualquer outra crise financeira, informou o FMI.

A economia da zona do euro deve registrar contração de 0,4 por cento neste ano, mas irá se recuperar em 2014 com crescimento de 1,0 por cento, segundo o FMI.

O organismo acrescentou que a zona do euro ainda deve lidar com a fragmentação financeira, melhorar a condição dos bancos e aproximar de uma união bancária, como o FMI já tinha destacado nos relatórios anteriores.

Não resolver os problemas da Europa e a possibilidade de forte aperto inesperado das condições financeiras por causa da retirada do estímulo do Fed podem levar para crescimento global de médio prazo de apenas 3 por cento.

Reportagem de Anna Yukhananov

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