Governo italiano corre para salvar Alitalia

quinta-feira, 10 de outubro de 2013 12:29 BRT
 

MILÃO/ROMA10 Out (Reuters) - O governo italiano está correndo para salvar a Alitalia da falência depois que sindicatos alertaram que a empresa aérea nacional pode entrar em default em questão de dias e a credora ENI ameaçou parar de fornecer combustível.

Se esforçando em continuar os pagamentos de sua dívida, a Alitalia adiou até a tarde de sexta-feira uma reunião do conselho que estava agendada para esta quinta-feira. Uma porta-voz não revelou o motivo, mas o adiamento dá mais tempo ao governo do primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, que também está com problemas financeiros, para tentar persuadir outra empresa italiana a entrar com um financiamento provisório.

A companhia aérea, que não gera lucro desde 2002, precisa de um aumento de capital de 300 milhões de euros e uma linha de crédito de bancos no total de 200 milhões de euros, disseram sindicatos do setor na quarta-feira após uma reunião com a empresa.

Letta não quer ver outra empresa nacional falir ou ser vendida a rivais estrangeiras sem garantias sobre empregos --a espanhola Telefónica fechou recentemente um acordo para adquirir a empresa controladora da Telecom Italia-- e está buscando outra empresa estatal que estaria disposta a dividir um aumento de capital com outros acionistas.

A grande pergunta é se a maior acionista da Alitalia, a Air France-KLM, aumentará sua participação de 25 por cento.

A Air France-KLM, ela própria em meio a uma reestruturação, foi barrada de adquirir completamente a Alitalia no final de 2008 pelo então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que costurou um grupo de 21 investidores incluindo o banco Intesa Sanpaolo e a operadora de rodovias Atlantia.

Desde então a Alitalia tem perdido 700 mil euros por dia e se tornou um símbolo do declínio da economia italiana, obstruída por ingerência e intervenções políticas. Agora, o governo e os acionistas da Alitalia estão prontos para permitir que a Air France aumente sua participação e possivelmente até compre o grupo, mas não há acordo com a empresa franco-holandesa sobre obrigações financeiras e estratégia de negócios.

O presidente da autoridade de aviação civil da Itália disse na quinta-feira que a situação era difícil mas que não havia sinal de que a companhia aérea estava prestes a parar as operações.

(Por Agnieszka Flak e Alberto Sisto)