10 de Outubro de 2013 / às 19:04 / 4 anos atrás

Republicanos apresentam plano para evitar default dos EUA

Uma pessoa passa em frente ao Capitólio na última terça-feira, em Washington. Republicanos apresentaram, nesta quinta-feira, um plano que evitaria um iminente default dos Estados Unidos, enquanto o governo federal continua paralisado. 08/10/2013Jason Reed

Por Richard Cowan e Thomas Ferraro

WASHINGTON, 10 Out (Reuters) - Os republicanos na Câmara dos Deputados apresentaram nesta quinta-feira um plano que evitaria um iminente default dos Estados Unidos, em um sinal de que os parlamentares podem encerrar o impasse que vem abalando os mercados financeiros e pondo em xeque a futura capacidade do país de solver seus débitos.

Antes de uma reunião com o presidente dos EUA, Barack Obama, não estava claro se os republicanos estariam dispostos a pôr fim à paralisação iniciada em 1o de outubro sem concessões de Obama que minariam sua lei de reforma da saúde, fato que precipitou a crise.

Ainda assim, a oferta para elevar o teto do endividamento do governo é uma mudança significativa dos republicanos, que esperavam obter concessões em gastos do governo e na questão da saúde. Ao ampliar o poder do governo de tomar empréstimos até possivelmente meados ou fim de novembro, o partido eliminará a ameaça de curto prazo de um calote que afetaria a todos, de aposentados a detentores de títulos públicos.

"É tempo para essas negociações e essas conversações começarem", disse o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, a repórteres, depois de apresentar o plano a seus colegas do Partido Republicano.

Obama já declarou que está disposto a considerar um aumento do teto do endividamento por curto prazo, desde que não seja vinculado a outras concessões. Segundo um funcionário da Casa Branca, Obama irá analisar a proposta. Mas a Casa Branca insistiu que os republicanos também têm de concordar em encerrar a paralisação iniciada em 1o de outubro.

"Embora estejamos dispostos a avaliar qualquer proposta que o Congresso apresente para encerrar essas crises fabricadas, não iremos permitir que um grupo de republicanos na Câmara torne a economia refém de suas exigências políticas estranhas e extremas", disse uma autoridade da Casa Branca, sob condição de anonimato.

"SERIA O CAOS"

O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, expressou cautela com o plano de aumento de curto prazo do teto da dívida proposto pelos republicanos. Reid disse a repórteres, depois de encontrar-se junto com outro democratas do Senado com Obama na Casa Branca, que ainda não tinha visto os detalhes do plano republicano.

"Vamos esperar e ver o que a Câmara faz", declarou Reid. Ele disse que ouviu relatos de três propostas diferentes.

Muitos na base republicana também pareceram céticos quanto a um acordo quando Boehner apresentou o plano em um encontro a portas fechadas, na manhã desta quinta-feira, segundo assessores. O controle de Boehner sobre sua bancada tem sido tênue este ano e muitos dos deputados mais conservadores na Câmara o desafiaram repetidamente em outras votações cruciais.

Apesar disso, os investidores pareceram ter se animado com o desdobramento. As ações dos EUA subiram fortemente, tendo os principais índices alcançado uma alta de mais de 1 por cento.

O Departamento do Tesouro diz que não terá condições de pagar suas contas se o Congresso não elevar o atual teto de endividamento, de 16,7 trilhões de dólares, até 17 de outubro.

Os republicanos alegam que se a questão não for resolvida até essa data o governo Obama poderia arcar com o compromisso de pagamento de títulos às custas de outras obrigações. No entanto, o secretário do Tesouro, Jack Lew, afirmou que isso não é possível.

"Seria o caos", disse ele ao Comitê de Finanças do Senado.

O plano dos republicanos iria prorrogar essa data limite estimada pelo Tesouro por seis semanas, o que lhes daria mais tempo para conseguir cortes de despesas, a revogação de um imposto na área médica e outras medidas que dizem ser necessárias para manter a dívida nacional num nível administrável.

Os democratas querem um aumento do teto do endividamento que amplie por mais de um ano o poder do governo de tomar empréstimos.

A Câmara poderia votar as medidas ainda na tarde desta quinta-feira, embora o horário seguisse indefinido.

Reportagem adicional de Jason Lange, Thomas Ferraro, Steve Holland e Roberta Rampton

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