ENTREVISTA-Mantega: redução gradual de estímulos nos EUA está precificada

quinta-feira, 10 de outubro de 2013 20:42 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 10 Out (Reuters) - Uma redução gradual do programa de estímulos do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, já está precificada pelo mercado, mas novos desequilíbrios à economia mundial devem ocorrer quando os EUA voltarem a elevar os juros, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista exclusiva à Reuters.

Para ele, no entanto, o aperto monetário nos EUA deve ocorrer apenas após 2014, quando já deverá ter saído do papel o fundo de contingenciamento de reservas sendo desenhado pelos Brics --grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul --, o que reduziria o impacto do juro norte-americano maior sobre os emergentes.

O Fed vem injetando mensalmente 85 bilhões de dólares na economia dos EUA através da compra de títulos de dívida para estimular a atividade. Os mercados financeiros globais estão em compasso de espera pela redução dos estímulos há meses, depois que autoridades do BC norte-americano começaram a dar sinais nessa direção.

"Se (os EUA) anunciarem: 'nós vamos diminuir 10 bilhões de dólares por mês, em vez de 85 bilhões, serão 75 bilhões', certamente uma decisão como essa, a meu ver, tende a não ter efeito nenhum", afirmou Mantega. "Não estamos falando de enxugamento da liquidez internacional, estamos falando de uma expansão (monetária) menor", acrescentou.

Para cuidar de questões internas, o ministro optou por não ir ao encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington nesta semana e quando representantes do G20 se reunirão. Ele defendeu que seria importante o comunicado do G20 incluir três objetivos: resolução do teto da dívida dos EUA, melhora na comunicação do Fed e trabalhar para melhorar a atividade europeia.

Mostrando-se cautelosamente otimista com o futuro da economia mundial, o ministro disse ainda que a atual política monetária do Brasil não inibe o crescimento e os investimentos, argumentando que a taxa real de juros (descontando a inflação) continua baixa. "Não me parece necessário que a gente volte para taxas reais de juros de 8 ou 10 por cento", afirmou.

Na noite de quarta-feira, o Banco Central elevou a taxa básica de juro Selic em 0,50 ponto percentual, a 9,5 por cento, no quinto movimento de alta seguido e deixando claro para economistas e o mercado que deve levá-la a 10 por cento em novembro.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Mantega.   Continuação...

 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chega a entrevista com a Reuters em São Paulo. 10/10/2013 REUTERS/Nacho Doce