11 de Outubro de 2013 / às 10:51 / em 4 anos

FMI quer que BCs monitorem mercados com supervisão do governo

Economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard, fala em coletiva de imprensa durante um dos encontros anuais do FMI e Banco Mundial, em Washington. Os bancos centrais deveriam ser independentes para estabelecer a política monetária, mas deveriam, também, ter como tarefa monitorar, sob supervisão política, a estabilidade do mercado financeiro, afirmou Blanchard. 8/10/2013. REUTERS/Mike Theiler

BERLIM, 11 Out (Reuters) - Os bancos centrais deveriam ser independentes para estabelecer a política monetária, mas deveriam, também, ter como tarefa monitorar, sob supervisão política, a estabilidade do mercado financeiro, afirmou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard.

Em entrevista publicada na edição de sexta-feira do jornal Handelsblatt, Blanchard disse que a Alemanha deveria ter um papel mais firme na Europa e que deveria investir mais ao invés de poupar.

“Se tem uma lição que aprendemos da crise, deveria ser: não é suficiente manter apenas o olho na estabilidade monetária. Também temos de olhar para a estabilidade do sistema financeiro”, disse Blanchard, segundo a publicação.

“A independência (dos bancos centrais) deveria ser escalonada. A política monetária clássica deve ser mantida independente. O controle dos mercados financeiros pelos bancos centrais, no entanto, deveria ser colocado sob algum tipo de supervisão política.”

Blanchard voltou a defender a elevação da meta de inflação para 4 por cento, ante os atuais cerca de 2 por cento, afirmando que isso criaria mais espaço para reduzir os juros durante crises. O Banco Central Europeu (BCE) deveria analisar meios para reduzir os custos de crédito para pequenas e médias empresas.

O economista-chefe do FMI disse estar preocupado com a possibilidade de países europeus interromperem reformas após sinais de retomada da confiança e de que o pior já passou na crise de dívida soberana da região.

“Você ouve cada vez mais: ‘já fizemos reformas suficientes, agora estamos vendo resultados. Não nos faça mais demandas’. Isso me preocupa”, afirmou.

Reportagem de Annika Breidthardt

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