América Latina deve abraçar a depreciação cambial, dizem autoridades

sábado, 12 de outubro de 2013 13:49 BRT
 

WASHINGTON, 11 Out (Reuters) - Os países latino-americanos não devem temer a desvalorização cambial enquanto suas economias se ajustam a um ambiente de menor liquidez global e um crescimento mais lento em muitos mercados emergentes, disseram autoridades.

Muitos países em desenvolvimento têm sido punidos pelos investidores em meio a expectativa de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, irá em breve começar a reduzir seu programa de injeção de recursos no sistema financeiro global, que ajudou a deslocar recursos para mercados menos conhecidos.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, durante reunião em Washington, pediram aos países membros para aceitar o efeito amortecedor oferecido pelo regime de taxa de câmbio flutuante e não tentar demasiadamente resistir a tendência de desvalorização de suas moedas.

A América Latina, que na década de 1990 sofreu várias crises cambiais, está mais preparada para suportar as flutuações das taxas de câmbio do que no passado, graças ao bom nível das reservas internacionais, à menor dívida em dólar e à independência dos bancos centrais, que estão focados no controle da inflação, disseram autoridades.

"É uma mudança muito grande em comparação com 15 anos atrás", disse o vice-presidente regional para a América Latina do Banco Mundial, Hasan Tuluy, em entrevista à Reuters.

"Ao contrário de antes, a depreciação provavelmente deve ter um efeito positivo sobre a competitividade e também um efeito fiscal positivo."

Desde o início do ano, o sol peruano recuou quase 8 por cento e o real brasileiro e o peso colombiano caíram mais de 6 por cento. O peso chileno caiu 3,8 por cento e o mexicano recuou 1,8 por cento, de acordo com dados da Thomson Reuters.

A queda foi particularmente aguda depois de maio, quando o chairman do Fed, Ben Bernanke, indicou que o programa de estímulo monetário do banco central dos EUA poderia começar a ser reduzido até o fim do ano. As moedas latino-americanas ganharam um fôlego em setembro, quando o Fed decidiu que a economia dos EUA precisava de mais tempo para se recuperar.

O ministro das Finanças colombiano, Mauricio Cárdenas, disse que um rápido aumento nos custos de empréstimos nos Estados Unidos poderia ser uma ameaça para a recuperação de seu país, mas que o cambio flexível poderia atuar como um amortecedor.   Continuação...