Redução de estímulos tardia pelo Fed por fazer mais mal que bem a emergentes

segunda-feira, 14 de outubro de 2013 13:57 BRT
 

Por Alonso Soto

WASHINGTON, 14 Out (Reuters) - Os países emergentes deram um suspiro de alívio quando o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu não reduzir seu estímulo monetário no mês passado.

Ao adiar o inevitável, o banco central norte-americano aliviou a pressão sobre os mercados emergentes para implementarem reformas que podem torná-los mais resistentes quando o Fed finalmente reverter a política.

"É muito fácil ficar viciado na elevada liquidez global", disse à Reuters Guillermo Ortiz, presidente do maior banco privado do México, o Grupo Financiero Banorte.

"Acho que é melhor se conformar agora para evitar uma redução mais penosa para os países de economias emergentes no futuro", disse Ortiz, que já foi ministro das Finanças e presidente do banco central do México.

Exemplos claros são as economias do Brasil e da Índia, que têm registrado forte desaceleração recentemente devido em parte à falta de ação do governo para remover os gargalos do crescimento, como os impostos mais altos e a burocracia.

As economias de mercados emergentes protestaram quando o banco central norte-americano injetou trilhões de dólares no sistema financeiro, emitindo uma onda de capital especulativo em seus mercados que ameaçou elevar a inflação e alimentar as bolhas de ativos.

Então, em maio, o chairman do Fed, Ben Bernanke, indicou que o banco poderia reduzir em breve os 85 bilhões de dólares em títulos que está comprando a cada mês para manter os custos de empréstimos baixos.

Isso levou a uma forte reversão nos fluxos de capital que arrastou as moedas de países emergentes para mínimas em vários anos e desgastou seus balanços de pagamentos.   Continuação...