Funcef estreia novo modelo com investimento em fundo de private equity

terça-feira, 15 de outubro de 2013 19:09 BRT
 

Por Natalia Gómez

SÃO PAULO, 15 Out (Reuters) - Diferente da política adotada historicamente por fundações brasileiras, a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, decidiu participar de fundo de private equity mesmo sem a operação ser controlada por um comitê de investimentos.

A nova estratégia deve começar a valer em um fundo de participações da Caixa e do Banco Espírito Santo, que captará cerca de 1,5 bilhão de reais até o fim de outubro, nos qual a Funcef aportará 100 milhões de reais. Os recursos serão investidos em empresas de infraestrutura.

A fundação, terceira maior do país com patrimônio de 50 bilhões de reais, deve adotar este modelo em outros fundos de participações, disse à Reuters o diretor de investimentos da Funcef, Maurício Marcellini.

"Antes, a gente eliminava a ideia de participar de qualquer fundo em que não tivesse comitê de investimentos. Hoje, quando isso ocorre, a gente ainda olha", afirmou.

A mudança ocorreu porque o tamanho dos fundos de participações cresceu muito no país, com crescente interesse de investidores nacionais e estrangeiros, de modo que a fundação não consegue ser mais um investidor "âncora" com um ticket de investimento de 100 milhões a 200 milhões de reais.

"Os fundos cresceram, antes eram de 500 milhões ou 600 milhões de reais, mas agora são de 1 bilhão a 3 bilhões", explica. A Funcef optou por não aumentar seu ticket porque pretende buscar maior diversificação neste segmento de atuação, que representa atualmente 11 por cento do seu patrimônio.

Os fundos de pensão são os principais investidores da indústria de private equity brasileira, com 26 por cento dos 53 bilhões de dólares de capital comprometido, segundo dados de 2012 divulgados recentemente pela GVCepe, área da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que acompanha o setor.

Segundo o executivo da Funcef, devem ser criadas ferramentas para garantir a governança corporativa nos novos padrões, como critérios mais rígidos de seleção dos gestores e maior poder para as assembleias, de modo que o mandato do gestor possa ser revisto.   Continuação...