16 de Outubro de 2013 / às 01:36 / 4 anos atrás

Fitch alerta que pode cortar rating "AAA" dos EUA

Por Daniel Bases

NOVA YORK, 15 Out (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch alertou nesta terça-feira que pode cortar o rating "AAA" dos Estados Unidos citando a disputa política sobre a elevação do teto da dívida do país.

"Embora a Fitch continue acreditando que o teto da dívida será elevado em breve, a disputa política e a reduzida flexibilidade de financiamento pode elevar o risco de default dos EUA", informou a agência em comunicado.

A agência colocou sua opinião sobre a qualidade do crédito do governo norte-americano no que chama de "Ratings Watch Negative", um reflexo do crescente risco de default no curto prazo se o teto da dívida não for elevado a tempo. A Fitch deu até o fim do primeiro trimestre de 2014 para decidir se vai realmente rebaixar o rating.

Ainda assim, a Fitch reafirmou a crença de que um acordo para elevar o teto da dívida será firmado, permitindo que o governo dos EUA pague as contas ao tomar emprestado além do limite, atualmente em vigor, de 16,7 trilhões de dólares.

A Fitch é a única das três principais agências de crédito a ter perspectiva negativa para o rating soberano dos EUA. A Standard & Poor's rebaixou o rating para "AA+" em agosto de 2011 durante o último impasse do teto da dívida.

"Parece com o que vimos da S&P logo antes do rebaixamento, eles estão essencialmente alertando-nos de que o impasse sobre o teto da dívida não será tolerado e não está em linha com um país que mantém o rating de crédito 'AAA'. Ao citar esses riscos artificiais de default como a principal razão... eles estão essencialmente dizendo: resolva isso agora", disse Gennadiy Goldberg, estrategista de taxas de juros do TD Securities em Nova York.

A Fitch reiterou que o atraso em elevar a capacidade de empréstimo dos EUA levanta questões sobre a credibilidade do país em honrar suas obrigações.

A Moody's classifica a dívida do governo dos EUA em "Aaa" com perspectiva estável.

O Tesouro já informou que no dia 17 de outubro, ou em torno dessa data, os EUA atingirão o teto da dívida.

A Fitch está operando na suposição de que mesmo se o limite da dívida não for elevado antes ou pouco após 17 de outubro, haverá disposição e capacidade política suficiente para garantir que os EUA honrem suas obrigações.

Um porta-voz do Tesouro dos EUA disse que a decisão da Fitch é um lembrete para os parlamentares norte-americanos de que os EUA estão perigosamente próximos de um default.

Negociações entre o presidente Barack Obama e líderes parlamentares passaram por vaivém novamente nesta terça-feira, mas não chegou a acordo para reabrir o governo e elevar o teto da dívida.

Na semana passa a Fitch disse que iria considerar calote se os EUA deixarem de pagar juros ou o principal dos títulos do Tesouro.

"Isso levo ao conhecimento dos investidores que esse tipo de risco está no horizonte. Veremos o que acontece. Eu estava esperançoso mais cedo hoje (terça-feira)de que os lados estavam caminhando em direção a um acordo, mas agora, não sei", disse o gestor de carteira do Pioneer Investment Management, John Carey.

O alerta veio após o fechamento das bolsas, ao fim de uma sessão volátil em que os principais índices acionários recuaram em meio à incerteza.

Na reta final do pregão em Nova York, o dólar desabou às mínimas da sessão contra o iene e reduziu ganhos contra o euro.

"Não é assim que o dólar se comportou durante a crise do Lehman ou durante o rebaixamento da dívida pela S&P em agosto de 2011. Então nós achamos que sim, quanto mais o rating dos EUA for questionado, pior será para o dólar", disse o estrategista-sênior de câmbio do BNY Mellon, Michael Woolfolk.

Os preços dos Treasuries, que já mostravam fraqueza antes do anúncio da Fitch, mantiveram as perdas do dia.

"Os EUA têm capacidade absoluta de pagar sua dívida. Essa decisão não diz respeito à capacidade de pagar. Diz respeito a governança e disposição para pagar. Nessa categoria, os EUA atingiram a fronteira do fracasso político", disse o chairman e vice-presidente de investimentos do Cumberland Advisors, David Kotok.

Reportagem adicional de Caryn Trokie, Karen Brettel, Ryan Vlastelica, Luciana Lopez e Wanfeng Zhou

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