ESPECIAL-Safra 13/14 estreia nova rota de grãos pelo norte do país

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 17:33 BRT
 

Por Gustavo Bonato e Caroline Stauffer

SÃO PAULO, 16 Out (Reuters) - Uma rodovia ainda inacabada que corta o Pará de sul a norte, pelo meio da floresta amazônica, começa a estimular investimentos em terminais portuários na região e deve escoar nos próximos meses milhões de toneladas da produção brasileira de grãos, na primeira novidade logística do agronegócio brasileiro em muitos anos.

A expectativa é que em 2014 o volume de grãos escoados pela BR 163 multiplique em dez vezes as cerca de 300 mil toneladas de 2013.

Após passar quase quatro décadas sem asfalto, obras de pavimentação realizadas nos últimos anos tornaram a estrada minimamente transitável, permitindo o acesso dos caminhões a terminais existentes e em construção em importantes rios da região, como o Tapajós e o Amazonas.

Do norte de Mato Grosso --principal região produtora do país-- até Santarém (PA), às margens do Rio Amazonas, são cerca de 1.000 quilômetros de rodovia. Para o escoamento da safra 2013/14, que começa no primeiro trimestre do ano que vem, a expectativa dos produtores é que faltem cerca de 300 a 400 quilômetros ainda sem asfalto.

"Não vai resolver porque ainda é o começo. Mas o mais importante é que está definitivamente havendo escoamento pelo norte do país", disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja MT), Carlos Fávaro.

Em Santarém já existe, há 10 anos, um terminal da Cargill , mas os navios são carregados com grãos que chegam principalmente de barcaças provenientes de Porto Velho (RO). A possibilidade de trazer mais grãos, agora de caminhão, deve elevar a movimentação do terminal.

"A BR 163 tem algum movimento, mesmo que 400 quilômetros ainda precisem ser asfaltados", disse o diretor de portos da empresa Clythio Buggenhout. "A estrada está agora relativamente viável."

Usualmente, a Cargill movimenta 1,3 milhão de toneladas de grãos em Santarém, quase tudo vindo de Rondônia pelos rios, mas em 2014 o volume pode chegar a 2 milhões devido à maior capacidade da estrada que vem de Mato Grosso, disse ele.   Continuação...