17 de Outubro de 2013 / às 00:13 / 4 anos atrás

Dólar cai 0,25% ante o real com BC não anunciando swap para 5ª

Por Tiago Pariz e Bruno Federowski

SÃO PAULO, 16 Out (Reuters) - O dólar fechou com leve queda ante o real nesta quarta-feira, após cair mais de 1 por cento durante a sessão, com os investidores reagindo ao fato de o Banco Central não ter anunciado o leilão diário de swap cambial tradicional para o dia seguinte durante o pregão.

O “atraso” da autoridade monetária alimentou as avaliações de que ela poderia reduzir o passo no seu programa de intervenção, após a moeda norte-americana ter chegado ao patamar de 2,15 reais. Mas também desencadeou críticas sobre a clareza na condução desse processo.

Apenas um pouco após das 20h da quarta-feira, o BC anunciou para quinta-feira a intervenção diária, ofertando 10 mil contratos de swap tradicional com vencimento em 5 de março de 2014. O leilão ocorrerá entre 9h30 e 9h40 e o resultado será conhecido a partir das 9h50, as mesmas condições vistas nos últimos leilões.

O dólar fechou em queda de 0,25 por cento, a 2,1746 reais na venda, após ter alcançado 2,1551 na mínima do dia, queda superior a 1 por cento. Segundo dados da BM&F, o volume de negociação ficou em cerca de 1,8 bilhão de dólares, melhor do visto nos últimos dias.

“O BC efetivamente testou o mercado, sentiu que ia ter impacto mesmo e não gostou do que viu. Dado isso, o dólar volta a cair”, disse diretor de gestão de recursos da Ativa, Arnaldo Curvello. “Não gostei dessa postura errática do BC. Ele confunde o mercado e isso cria apreensão”.

Desde o início do programa em 22 de agosto, o BC anunciava religiosamente às 14h30 a intervenção com swap para o dia seguinte, com raríssimas excessões de variações de minutos. Questionada se havia alguma mudança no horário do anúncio, a assessoria de imprensa do BC chegou a informar que não tinha ainda um posicionamento.

Como o dólar está sendo negociado bem abaixo de 2,20 reais, os investidores já questionavam se o BC continuará com o mesmo ritmo de intervenções diárias no mercado de câmbio, ou mesmo rolando integralmente os contratos de swap que estão para vencer, diante da perda de força da moeda norte-americana sobre o real.

“Se o dólar subir demais, prejudica a inflação. Se o dólar cair demais, prejudica a atividade”, resumiu o operador de câmbio da B&T Corretora, Marcos Trabbold. “Com isso, a estratégia do BC fica muito obscura para o mercado”.

Os primeiros questionamentos sobre o futuro do programa cambial emergiram em 25 de setembro, uma semana após o dólar flertar persistentemente com o patamar de 2,19 reais, quando o BC vendeu apenas 9.650 dos 10 mil contratos colocados em leilão. Essa foi a primeira e única vez desde o início do programa de atuações no câmbio que a oferta total não foi vendida.

Nesta quarta-feira, mesmo com o dólar recuando cerca de 1 por cento ante o real, o BC vendeu todos os 10 mil contratos de swap cambial tradicional --equivalentes à venda futura de dólares-- com vencimento em 5 de março de 2014. O volume financeiro equivalente da operação foi de 497,7 milhões de dólares.

Quando anunciou o programa em agosto, com o dólar acima de 2,40 reais, a autoridade monetária informou que continuaria com as intervenções diárias até, pelo menos, o fim do ano, possivelmente injetando o equivalente a 60 bilhões de dólares nos mercados.

“Os leilões de swap ocorrerão todas as segundas, terças, quartas e quintas-feiras, quando serão ofertados 500 milhões de dólares por dia. Às sextas-feiras, será oferecida ao mercado, por meio de leilão de venda com compromisso de recompra, linha de crédito no valor de 1 bilhão de dólares”, informou o BC naquele momento.

Recentemente, o presidente do BC, Alexandre Tombini, reafirmou esse plano, ressaltando que o programa estava sendo eficaz em reduzir a volatilidade do real e, por isso, deveria continuar até pelo menos o fim do ano.

Operadores afirmavam ainda que, caso o BC realmente não anuciasse o leilão de swap para quinta-feira, poderia fazer o dólar dar um salto ante o real, além de deixar a comunicação com o mercado turva.

“Ele (BC) descumpriria o que estava acertado que ia fazer todo dia, e isso deixa o mercado bastante apreensivo”, disse o superintendente de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, para quem a moeda norte-americana voltaria ao patamar de 2,25 reais já no pregão seguinte.

DE OLHO NOS EUA

Mas cedo, a queda do dólar vinha sendo estimulada pela expectativa de que o impasse fiscal nos Estados Unidos poderia levar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a adiar a redução no programa de estímulo monetário que injeta mensalmente 85 bilhões de dólares na economia.

A desvalorização também ocorreu, segundo operadores, porque uma grande empresa nacional estaria trazendo dólares --num volume que poderia chegar a 400 milhões de dólares-- para o mercado interno, segundo operadores.

No entanto, os investidores também tiveram certo alívio após o Senado dos EUA chegar a um acordo para reativar o governo e elevar o teto da dívida, afastando a possibilidade do histórico calote norte-americano que vinha preocupando os mercados financeiros.

Reportagem adicional de Marília Carrera

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below