PRÉVIA-Leilão do pré-sal pode minar bonança do petróleo no longo prazo

quinta-feira, 17 de outubro de 2013 09:22 BRT
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 16 Out (Reuters) - O governo brasileiro encara o leilão da área de Libra, uma descoberta de petróleo anunciada como o maior campo marítimo já vendido, como o coroamento de um plano de energia projetado para acabar com a pobreza e ajudar o país a ascender ao mundo desenvolvido.

No entanto, apesar da empolgação, alguns alertam que o leilão --o primeiro no novo modelo de partilha do petróleo instituído há cerca de três anos e que amplia o controle do Estado sobre as áreas mais promissoras do país-- vai desencorajar investimentos e limitar os benefícios a longo prazo da produção de petróleo.

O leilão de Libra está marcado para a próxima segunda-feira, dia 21.

O gigantismo de Libra e o alto custo de extração de petróleo no pré-sal ameaçam sobrecarregar a Petrobras, estatal para a qual o governo deu a exclusividade para operar o campo.

Com a Petrobras já bastante endividada e precisando de dinheiro, Libra pode forçar a empresa a abandonar ou adiar a exploração de ativos promissores em outros lugares no Brasil, limitando as possibilidades de lucro nos próximos anos.

A tentativa do governo de maximizar a sua participação na produção de Libra também tem assustado algumas das maiores empresas de petróleo do mundo, todas participantes ativas em leilões anteriores, num momento em que as descobertas de recursos energéticos em outros lugares do mundo, além de outras dificuldades, diminuíram a euforia que no passado chegou a cercar o setor de petróleo do Brasil.

Somados todos esses fatores, e Libra não parece tanto ser uma mina de ouro.

"Estou convencido de que este será o primeiro e o último leilão de petróleo no novo modelo, com a estrutura que tem hoje", disse Christopher Garman, diretor de Mercados Emergentes do Eurasia Group, uma consultoria de risco político de Nova York.   Continuação...