17 de Outubro de 2013 / às 12:33 / 4 anos atrás

É "apropriada" a continuidade do ritmo de ajustes monetários--ata do Copom

Veículos trafegam próximo à sede do Banco Central, em Brasília. O Banco Central sinalizou nesta quinta-feira a continuidade do ritmo de alta dos juros, que devem voltar em breve aos dois dígitos, ao defender, por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que é "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso". 22/09/2011.Ueslei Marcelino

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 17 Out (Reuters) - O Banco Central sinalizou nesta quinta-feira a continuidade do ritmo de alta dos juros, que devem voltar em breve aos dois dígitos, ao defender, por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que é "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

Ao mesmo tempo, o BC reduziu suas projeções de inflação para este ano e o próximo, apesar de ainda continuarem acima da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

"O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência", trouxe a ata.

Para combater a inflação, o Copom elevou a Selic em 0,5 ponto percentual --pela quarta vez seguida-- para 9,5 por cento na semana passada, quando já indicou que manteria o passo. Isso porque repetiu o comunicado utilizado nas três reuniões anteriores para justificar sua decisão.

Assim, boa parte dos agentes econômicos entendeu que a Selic pode subir para 10 por cento na próxima reunião do Copom, em novembro. A expectativa de que a Selic possa voltar ao patamar de dois dígitos, algo que não ocorre desde janeiro de 2012, e que este ciclo de aperto possa se estender por mais tempo tem crescido.

"O sinal é de que pretendem manter o ritmo de elevação da taxa, ou seja, mais 0,50 ponto percentual na próxima reunião... Eles permanecem relativamente 'hawkish', o que é bom porque vai ajudar o banco a consolidar uma visão mais benigna para a inflação", afirmou o economista-chefe para América Latina ING, Gustavo Rangel.

Na ata publicada mais cedo, o BC reduziu suas projeções sobre a inflação em 2013 e em 2014 no cenário de referência, mas permanecendo acima da meta. Para o terceiro trimestre de 2015, a inflação estimada pelo BC "se posiciona acima da meta".

Apesar dos recentes sinais de arrefecimento, a inflação no Brasil ainda flerta com o teto da meta do governo. Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana dos analistas consultados, o IPCA-15 --prévia da inflação oficial do país-- deve subir 0,41 por cento em outubro e, em 12 meses, ir a 5,69 por cento.

Este patamar deve ser a mínima do ano e a expectativa é de que, no máximo ele permaneça estável.

"Se a ideia era manter a porta aberta para nova alta da Selic em novembro, o objetivo foi alcançado. Não há promessa, mas não há sinal de que dados futuros possam reverter a visão sobre a inflação no horizonte relevante", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, por meio de nota.

No mercado de juros futuros, a ata do Copom corroborou as apostas de que a Selic vai a 10 por cento no próximo mês e, segundo cálculos de especialistas, a curva dos DIs indicava que a taxa básica poderia ir a 10,25 ou a 10,50 por cento no início de 2014.

Para o Copom, o cenário externo mostra "certo arrefecimento nas tensões", embora continue complexo. O BC disse ainda que também viu "certo arrefecimento" nas tensões e volatilidades no mercado cambial.

Para o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, o BC referiu-se à desvalorização do dólar ante o real das últimas semanas, "fator importante para a dinâmica futura da inflação".

"De uma forma geral, a ata manteve o tom das últimas comunicações, sinalizando continuidade do ritmo de aumento de juros" afirmou ele por meio de nota, acrescentando que mudou sua perspectiva para a Selic, que deve ir a 10 por cento em novembro e a 10,25 por cento em janeiro. Até então, ele previa que a taxa iria apenas a 9,75 por cento.

Reportagem adicional de Alonso Soto, em Brasília

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below