Cenário para América Latina perde brilho após 2013 frustrante

quinta-feira, 17 de outubro de 2013 20:55 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 17 Out (Reuters) - A América Latina deve ter dificuldades para acelerar o crescimento de suas economias após um 2013 frustrante, em um cenário complicado pela perspectiva de aumento gradual dos juros nos Estados Unidos nos próximos anos.

Pesquisa Reuters com mais de 80 bancos e consultorias no mundo inteiro mostrou redução nas projeções de crescimento econômico para 2014 na maioria das economias da região em relação a uma pesquisa similar em julho. A expectativa é que países como Brasil e Chile terão no máximo uma recuperação limitada de suas economias após decepcionarem neste ano.

No geral, a América Latina segue longe de uma recessão. Entretanto, a revisão de cenário é mais uma evidência de que os países emergentes têm um papel cada vez menor na manutenção do crescimento da economia global. A pesquisa também sugere cenário mais desafiador para os governos da região, muitos dos quais com uma agenda pesada de eleições nos próximos meses.

"A América Latina deve continuar entre as regiões emergentes de crescimento mais lento em 2014 e 2015. A recuperação atual também deve ser desequilibrada", afirmaram economistas da consultoria Capital Economics em nota.

A piora nas expectativas acontece após o fraco desempenho de várias economias da América Latina no primeiro semestre. O México teve a primeira contração trimestral em quatro anos por causa do baixo investimento público, enquanto que o Peru, por exemplo, viu sua taxa anual de crescimento cair abaixo de 6 por cento, considerado mais próximo do potencial, por causa da desaceleração nas exportações de minério.

O fato de que os economistas acreditam que 2014 também será pior do que se imaginava antes, por sua vez, reflete o maior ceticismo com relação ao potencial de crescimento da região em meio ao alto endividamento das famílias e à menor demanda da China pelos vastos recursos naturais desses países.

O maior corte nas projeções de crescimento em 2014 em relação à pesquisa de julho foi nas estimativas do Brasil, caindo para 2,4 por cento, ante 3,0 por cento anteriormente. O cenário do México também piorou, com estimativa de crescimento de 3,7 por cento do PIB ante 4,0 por cento antes.

Os altos déficits em transações correntes na região, embora não pareçam grandes o bastante para provocar uma crise cambial, também devem ser outro fator a limitar o crescimento futuro, especialmente no Chile e no Peru, segundo economistas.   Continuação...