Bradesco amplia lucro com cautela na concessão de crédito

segunda-feira, 21 de outubro de 2013 18:14 BRST
 

Por Natalia Gómez e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Os resultados do Bradesco no terceiro trimestre refletem a estratégia do segundo maior banco privado do país de concentrar sua atuação em modalidades de crédito de menor risco, com consequente redução da inadimplência, crescimento modesto dos empréstimos e menores retornos com esta atividade.

Esta combinação resultou em lucro de 3,064 bilhões de reais no terceiro trimestre, avanço de 7,1 por cento ante o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido recorrente ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, a 3,082 bilhões de reais, enquanto oito analistas consultados pela Thomson Reuters previam, em média, lucro recorrente de 3,06 bilhões de reais. Em bases anuais, o lucro recorrente cresceu 6,5 por cento.

Diante da maior parcimônia na concessão de empréstimos, a carteira de crédito do banco avançou 11 por cento em bases anuais, para 412,56 bilhões de reais, no piso da projeção de 11 a 15 por cento dada pela instituição no trimestre passado. O crescimento da carteira um ano antes havia sido de 11,8 por cento e no mesmo período de 2011 a expansão registrada foi de 22 por cento.

A mesma cautela deixou a instituição mais protegida de calotes. A inadimplência acima de 90 dias foi de 3,6 por cento no terceiro trimestre, ante 4,1 por cento um ano antes e 3,7 por cento no trimestre imediatamente anterior. Os analistas consultados pela Reuters previam inadimplência estável em 3,7 por cento.

O maior recuo ocorreu no segmento de pessoa física, cuja inadimplência passou de 6,2 por cento para 5,2 por cento na comparação anual. Os calotes em pequenas e médias empresas passaram de 4,3 para 4 por cento na mesma comparação, enquanto atrasos acima de 90 dias em grandes empresas ficaram estáveis em 0,4 por cento, mas avançando ante o 0,2 por cento do segundo trimestre.

Na mesma direção, as despesas com provisão para devedores duvidosos recuaram 12,8 por cento em bases anuais e somaram 2,881 bilhões de reais. Ante o período de abril a junho deste ano, a queda foi de cerca de 7 por cento.

Junto com o menor risco, o banco espera colher menor rentabilidade, e por isso revisou para baixo sua expectativa para o crescimento da margem financeira de juros, que passou de 4 a 8 por cento para 1 a 3 por cento neste ano.   Continuação...

 
Foto de arquivo da unidade do banco Bradesco da avenida Paulista, em São Paulo. Os resultados do Bradesco no terceiro trimestre refletem a estratégia do segundo maior banco privado do país de concentrar sua atuação em modalidades de crédito de menor risco, com consequente redução da inadimplência, crescimento modesto dos empréstimos e menores retornos com esta atividade. 29/09/2010 REUTERS/Nacho Doce