21 de Outubro de 2013 / às 13:55 / 4 anos atrás

Investidores veem bom momento do açúcar após 3 anos de dificuldades

LONDRES, 21 Out (Reuters) - Imagens de armazéns cheios de açúcar em chamas no Brasil chamaram a atenção para um aumento do preço de uma commodity que já vinha sendo favorecida pelos investidores em meio a expectativas de que os anos de excesso de oferta tenham chegado ao fim.

Os preços do açúcar subiram em mais de 25 por cento desde julho, e dispararam 6 por cento na sexta-feira, atingindo uma máxima de um ano após um incêndio atingir os armazéns da Copersucar, maior comercializadora de açúcar do mundo, no porto de Santos, e destruir 180 mil toneladas de açúcar.

Até recentemente, as cotações da commodity vinham sendo contidas por um excesso de oferta, reflexo dos esforços dos produtores em lucrar com máximas de 30 anos atingidas em 2011, e pela força do dólar, que tem pressionado os preços da commodities precificadas na moeda norte-americana.

Um excedente de 4,5 milhões de toneladas está previsto para 2013/14, mostraram dados da Organização Internacional do Açúcar (OIA), após 10,2 milhões de toneladas em 2012/13 e 6,1 milhões no ano anterior.

A OIA, que monitora a demanda e a oferta globais, ainda não divulgou suas projeções para 2014/15, mas Sergey Gudoshnikov, economista sênior da organização inter-governamental, disse que espera que as estimativas fiquem bastante equilibradas ou mostrem um pequeno excedente.

Os preços do açúcar podem subir ainda mais por conta de riscos climáticos, caso continue a chover fortemente no Brasil e na Europa, atrasando a colheita, ou caso o clima chuvoso complique as colheitas em importantes produtores da Ásia mais tarde no ano, como a Índia e a Tailândia.

"O risco climático é o fator mais relevante que poderia determinar quaisquer aumentos nos preços do açúcar", disse Gudoshnikov.

Os fundos de investimento, de maneira geral, detiveram posições vendidas nos últimos anos a fim de lucrar com uma queda de mais de 50 por cento nos futuros do açúcar bruto negociados na bolsa de Nova York (ICE) por conta de uma enorme oferta global.

O açúcar na ICE atingiu uma mínima de três anos em julho, a 15,93 centavos por libra-peso, mas fechou a 19,50 centavos na sexta-feira após o incêndio, apesar do fato de que as rivais da Copersucar devem ocupar o espaço deixado pela empresa.

LONGO PRAZO

Além dos fatores de curto prazo, uma demanda aquecida na China e no Sudeste Asiático, juntamente com preocupações climáticas no Brasil, estão forçando os investidores a saírem das margens do mercado.

"Os fundos foram para compras por conta de preocupações de que as chuvas no Brasil prejudiquem as lavouras e por uma maior dedicação das usinas ao etanol ao invés do açúcar...", disse Romain Lathierem um gerente de fundo da Diapason Commodities Management.

O açúcar compete com o etanol por estoques disponíveis de cana-de-açúcar, e quaisquer alterações na alocação por conta do clima chuvoso podem ter um impacto dramático.

Enquanto a paralisação do governo dos EUA tem limitado os dados de posicionamento da Comissão do Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), operadores falam de especuladores detendo um total de posições líquidas compradas de 135 a 160 mil lotes, ou cerca de até 8 milhões de toneladas entre eles.

"Eu acho que a maior parte dos fundos negociando açúcar no momento são fundo técnicos ou black box que respondem a seus próprios sistemas", disse Jonathan Kingsman, chefe de agricultura do provedor de dados Platts.

"As compras deles muitas vezes se alimentam de si mesmos."

IMPORTAÇÕES

Analistas dizem que as fortes chuvas no centro-sul brasileiro são um fator importante pois complicaram a colheita da cana, e outro fator seria a demanda de regiões que são importantes importadoras.

"Nós certamente acreditamos que a demanda por importação tem sido maior que o esperado", disse Kingsman.

Toby Cohen, diretor de commodities da Czarnikow, disse que o mercado está em uma alta de correção. "O mercado pode estar subestimando o consumo e a demanda."

As importações de açúcar bruto por operadores privados para a China superaram as expectativas do mercado, e os operadores falaram de uma forte demanda de refinarias da Indonésia, outro importante importador de açúcar bruto.

A Indonésia vai permitir a importação de 3,8 milhões de toneladas de açúcar bruto este ano, disse uma autoridade do Ministério da Indústria na sexta-feira, aumento de um terço ante uma previsão anterior, à medida que o importante importador mundial busca atender à crescente demanda industrial.

Reportagem de David Brough

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