Bradesco amplia lucro com cautela no crédito, mas corrói margem

segunda-feira, 21 de outubro de 2013 21:42 BRST
 

21 Out (Reuters) - O Bradesco colheu os frutos do conservadorismo na concessão de crédito, com redução da inadimplência e aumento do lucro no terceiro trimestre, mas um novo corte na previsão para a margem financeira de juros desagradou o mercado.

Gastos menores com provisões para perdas com calotes, resultado do foco do segundo maior banco privado do país por modalidades de empréstimo de menor risco, como consignado e imobiliário, o ajudaram a ter lucro de 3,06 bilhões de reais no período, avanço de 7,1 por cento ante mesma etapa de 2012.

O lucro líquido recorrente ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, a 3,082 bilhões de reais, enquanto oito analistas consultados pela Thomson Reuters previam, em média, lucro recorrente de 3,06 bilhões de reais. Em bases anuais, o lucro recorrente cresceu 6,5 por cento.

Apesar do lucro maior, as ações do banco caíam 2,5 por cento, ante alta de 0,23 por cento do Ibovespa, às 15h00. O que desagradou o mercado foi a previsão de menor margem financeira com juros para o acumulado do ano.

No segundo trimestre, o banco já havia ajustado esta linha, da faixa de 7 a 11 por cento para a de 4 a 8 por cento. Nesta segunda-feira, um novo corte ocorreu, chegando a uma estimativa de 1 a 3 por cento de crescimento no ano.

Segundo o diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, o corte foi motivado pelo avanço tímido do crédito. "O crédito representa 75 por cento da margem e foi o principal motivo para a revisão", afirmou em teleconferência com jornalistas.

O Bradesco tinha expectativa de 13 e 17 por cento de crescimento do crédito para o ano e revisou esta projeção no segundo trimestre para 11 a 15 por cento. Para o fechamento de 2013, a instituição prevê avanço no piso da projeção atual.

No terceiro trimestre, a carteira de crédito do banco subiu 11 por cento em bases anuais, a 412,56 bilhões de reais. O crescimento um ano antes havia sido de 11,8 por cento e no mesmo período de 2011 a expansão fora de 22 por cento.

Como reflexo da alta modesta do crédito, a margem financeira de juros teve um ligeiro avanço de 1,1 por cento no acumulado do ano até setembro, a 31,7 bilhões de reais.   Continuação...