ANÁLISE-Falta de concorrência em Libra beneficia Petrobras; ações disparam

segunda-feira, 21 de outubro de 2013 21:42 BRST
 

Por Sabrina Lorenzi e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 21 Out (Reuters) - Se por um lado a falta de concorrência no leilão de Libra dá munição aos críticos do governo, o resultado favorece a Petrobras, que pagará junto com as parcerias no certame o mínimo estabelecido pelo governo para ficar com a área gigante no pré-sal.

A Petrobras não precisou disputar Libra nem correu o risco de migrar para um consórcio rival, como reza o edital em caso de derrota do seu próprio grupo, destacaram especialistas do setor ouvidos pela Reuters.

"Foi bom para a Petrobras, que poderia ter sido obrigada a fazer uma oferta elevada", afirmou o consultor John Forman, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As ações preferenciais da Petrobras fecharam com alta de 5,3 por cento nesta segunda-feira.

A Petrobras venceu nesta segunda-feira o leilão pelo direito de exploração da área de Libra --maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil-- em parceria com a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e as estatais chinesas CNPC e CNOOC.

O consórcio liderado pela estatal brasileira foi o único a apresentar proposta no evento organizado pelo governo, com uma oferta mínima de óleo lucro de 41,65 por cento --parcela de petróleo destinada à União após serem descontados todos os custos de produção.

Se houvesse maior disputa e o lance vencedor fosse mais alto, a parcela de óleo lucro ao governo --que prevê investir os recursos do pré-sal em saúde e educação-- também seria mais robusta.

Um sucesso estonteante para o governo, no entanto, seria um fracasso perigoso para a Petrobras, disse um executivo do setor que preferiu não se identificar.   Continuação...