October 22, 2013 / 12:47 PM / in 4 years

Criação de empregos fraca nos EUA apoia postura de cautela do Fed

4 Min, DE LEITURA

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON, 22 Out (Reuters) - Os empregadores dos Estados Unidos contrataram bem menos funcionários do que o esperado em setembro, sugerindo perda de ímpeto na economia que deve elevar a cautela do Federal Reserve, banco central do país, ao decidir o momento da redução no seu programa de estímulos.

As vagas de emprego fora do setor agrícola aumentaram em 148 mil no mês passado, informou o Departamento de Trabalho nesta terça-feira. Embora a contagem de empregos para agosto foi revisada mostrando mais vagas sendo criadas do que anteriormente divulgado, o aumento de postos de trabalho em julho foi o mais fraco desde junho de 2012.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que a economia norte-americana abrisse 180 mil empregos em setembro.

"Esse relatório sobre o mercado de trabalho irá abrandar as avaliações das pessoas sobre as condições atuais", disse o economista sênior da Decision Economics, em Nova York, Cary Leahey.

Mas há certo otimismo no relatório, com a taxa de desemprego caindo 0,1 ponto percentual, para 7,2 por cento, o menor nível desde novembro de 2008.

O relatório de emprego mensal foi divulgado mais de duas semanas depois do programado por causa da paralisação parcial do governo federal no início deste mês.

Sinais de que a economia perdeu fôlego até mesmo antes da disputa orçamentária podem agitar os mercados financeiros.

Economistas estimam que a paralisação do governo de 16 dias subtraiu 0,6 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) anualizado do quarto trimestre.

O presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Jason Furman, afirmou nesta terça-feira que o embate em Washington prejudicou o mercado de trabalho este mês e irá impactar o crescimento vital da economia.

Autoridades do Fed devem adiar a decisão de reduzir as compras de títulos do banco central norte-americano até que o tamanho do prejuízo econômico proveniente da luta política em torno do orçamento norte-americano fique mais claro.

O Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (Fomc, na sigla em inglês) vai se reunir na próxima semana para discutir a política monetária. Eles surpreenderam os mercados no mês passado ao continuarem com o ritmo de compra de títulos mensal de 85 bilhões de dólares, dizendo que queriam ver mais evidências de forte recuperação.

Agora, muitos economistas acreditam que o Fed vai adiar a redução de estímulo econômico até o próximo ano.

"Isso realmente levanta a questão para o Fed e para a política do Fed. Os membros do Fed serão fortemente pressionados a argumentar que há melhora no mercado de trabalho", disse o economista-chefe e estrategista da Vining Sparks, Craig Dismuke.

Há também temores de que parlamentares irão se engajar em outra rodada agressiva no início do próximo ano quando o Congresso tem que firmar um orçamento para financiar o governo e novamente elevar o teto da dívida do país.

"Com a possibilidade de repetição do impasse orçamentário a partir de meados de janeiro, por que o Fed iria querer frear agora? É difícil esperar qualquer redução nas compras de títulos do Fed até que a bagunça com o orçamento seja organizada", acrescentou Leahey, da Decision Economics.

O padrão de criação de vagas de emprego em setembro foi misto no mês passado, com os postos no governo aumentando em 22 mil, após terem avançado 32 mil em agosto.

Houve fraqueza inesperada na indústria de lazer e hospedagem, que tem criado empregos de forma consistente nos últimos anos. A indústria cortou 13 mil empregos, a maior redução desde dezembro de 2009.

Houve pequena recuperação nos postos do setor de informação, que recuou em agosto na medida em que a indústria cinematográfica cortou funcionários.

Mas houve boas notícias na indústria de construção, onde houve aumento de 20 mil postos de trabalho, o que pode aliviar os temores de desaceleração na construção de moradias. As contratações no setor de construção quase não avançaram nos dois meses anteriores.

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