ANÁLISE-Meta de entregas de jatos comerciais desafia Embraer

terça-feira, 22 de outubro de 2013 15:47 BRST
 

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) - As encomendas de aviões anunciadas pela Embraer neste ano impulsionaram a carteira de pedidos da fabricante, criando expectativas animadoras para médio e longo prazos, mas em 2013 a companhia deve ter dificuldade para alcançar a meta de entregas de jatos comerciais.

De janeiro a setembro, a terceira maior fabricante mundial de aviões civis entregou 58 aeronaves comerciais, ainda distante da meta de 90 a 95 jatos para o ano nesse segmento. Poucos acreditam que a Embraer vá entregar pelo menos 32 unidades no quarto trimestre, especialmente após apenas 19 aviões despachados no terceiro e 22 no segundo.

Em números absolutos o desafio não é tão grande --de outubro a dezembro de 2008, por exemplo, a Embraer entregou 44 jatos comerciais. Nos últimos cinco anos, porém, o quarto trimestre representou de 21 a 30 por cento do total de entregas no segmento comercial. E, para atingir o piso da meta de 2013, as entregas no atual trimestre precisarão alcançar quase 36 por cento do projetado para o ano.

O número de entregas é acompanhado de perto pelo mercado, já que a Embraer contabiliza a receita com a venda no momento da entrega das aeronaves.

Executivos da Embraer esperam um fim de ano melhor. Em meados de setembro, o responsável pelos negócios na Aviação Comercial da companhia, Paulo César de Souza e Silva, disse esperar grande número de entregas no quarto trimestre e que a companhia poderia atingir a meta para 2013.

Mas esse otimismo não é partilhado por parte dos analistas, que veem como remota a chance de a meta de entregas de jatos comerciais ser cumprida.

"Isso é irreal", disse o analista Henrique Florentino, da Um Investimentos.

Ao divulgar os dados de entregas do terceiro trimestre no último dia 15, a ação da Embraer na bolsa paulista teve forte baixa, recuando 4,3 por cento. De lá para cá, até o fechamento do dia 21, o papel acumulou baixa de 7,5 por cento, contra alta de 3,5 por cento do Ibovespa no período.   Continuação...