Angola diz que parceria estratégica com Portugal depende de respeito; cita Brasil

quarta-feira, 23 de outubro de 2013 22:10 BRST
 

LUANDA, 23 Out (Reuters) - Angola poderá abrir mão de uma parceria estratégica planejada com Portugal em favor de laços mais estreitos com a China e outras potências emergentes, como o Brasil, se Lisboa não mostrar maior respeito pela nação africana rica em petróleo, alertou o ministro das Relações Exteriores angolano nesta quarta-feira.

O presidente de Angola, José Eduardo Dos Santos, disse na semana passada que as relações com Portugal não estavam bem, refletindo as tensões na parceria planejada entre o segundo maior produtor de petróleo da África e seu ex-colonizador.

Portugal é a principal fonte das importações de Angola e empresas portuguesas são muito ativas nos setores bancário e de construção no vasto país do sudoeste africano. Por sua vez, investidores angolanos já abocanharam grandes participações em importantes empresas listadas em Lisboa.

"Tem que haver de Portugal um pouco de respeito por entidades angolanas e uma capacidade de gerenciar este relacionamento bem, o que não tem sido a prática e que afeta a criação de uma parceria estratégica", disse o chanceler Georges Chikoti em declarações transmitidas pelo canal angolano TPA.

"Nós não vemos isso (parceria estratégica) como nossa prioridade e muito menos pensamos que poderemos trabalhar para isso no próximo ano", acrescentou.

As tensões entre Lisboa e Luanda tornaram-se evidentes no mês passado, depois que o ministro do Exterior português, Rui Machete, pediu desculpas por investigações legais de negócios envolvendo altas autoridades angolanas, incluindo o vice-presidente, Manuel Vicente.

O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, tentou consertar o impasse com Angola, que só perde para a Nigéria na produção de petróleo na África e cujo rápido crescimento tem dado a empresas e trabalhadores portugueses oportunidades para escapar de problemas econômicos em Portugal.

Chikoti advertiu que seu país tem outras opções.

"Temos outros parceiros, tão ou mais importantes do que Portugal em termos de volume, com os quais podemos definir uma parceria estratégica", disse.   Continuação...