Saída de Figueiredo da EPL pode ampliar incerteza nos planos de logística

quinta-feira, 24 de outubro de 2013 20:53 BRST
 

BRASÍLIA, 24 Out (Reuters) - A saída de Bernardo Figueiredo da presidência da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), previsto para dezembro, agrega um novo componente de incerteza ao programa de concessões em logística do governo federal.

Ex-diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Figueiredo era homem de confiança da presidente Dilma Rousseff na área de logística, mas sofreu desgastes nos últimos meses após embates com os ministérios da Fazenda e da Casa Civil, que vêm se tornando mais influentes nas políticas do setor.

Figueiredo havia defendido, por exemplo, uma taxa de retorno para o projeto do trem-bala superior aos 7 por cento fixados para o projeto. Prevaleceu a opinião da Fazenda, mas o leilão do projeto acabou sendo adiado até 2014 porque apenas um consórcio garantiu participação.

Para o executivo de uma das principais empresas que atuam com concessões no Brasil, a saída de Figueiredo "dificulta ainda mais o diálogo do governo com o mercado".

Segundo a EPL, Figueiredo já havia manifestado a intenção de deixar o cargo, assim que estruturasse a EPL e elaborasse os projetos de médio e longo prazos para o setor. Ainda segundo a empresa, a presidente Dilma pediu que ele ficasse até dezembro.

A tendência é que Figueiredo seja substituído pelo ex-ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Para o executivo do setor privado ouvido pela Reuters que falou sob a condição de anonimato, Passos é um técnico de carreira que não tem as mesmas características de negociador e mediador de Figueiredo.

"Figueiredo sabia interpretar melhor o termômetro do mercado", disse o empresário.

Na quarta-feira, foi suspensa a sabatina que a Comissão de Infraestrutura do Senado realizaria com o ex-ministro para que Passos assumisse uma vaga na diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O pedido de suspensão da sabatina já teria em vista o fato de que Passos deverá ser designado presidir a EPL. (Por Leonardo Goy)