Distribuidoras precisarão contratar até 6.300 MW médios no leilão A-1

sexta-feira, 25 de outubro de 2013 13:21 BRST
 

SÃO PAULO, 25 Out (Reuters) - As distribuidoras de energia precisarão contratar até 6.300 megawatts (MW) médios de energia elétrica no leilão de energia existente A-1, marcado para 17 de dezembro, informou o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, nesta sexta-feira.

O impacto dessa descontratação de 6.300 MW médios no caixa das distribuidoras poderá variar entre 2 bilhões e 6 bilhões de reais, segundo a Abradee, dependendo do patamar em que se situar o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve como base para formação de preços de energia no curto prazo, e caso não haja oferta de energia pelas geradoras no leilão A-1.

Cerca de 4.000 MW médios de contratos de energia das distribuidoras estão vencendo no final do ano, sendo que as empresas já têm uma descontratação de 2.300 MW médios -- resultado da insuficiência de cotas de energia redistribuídas das concessões de geração renovadas antecipadamente, já que houve recusa de algumas geradoras em renovar os contratos conforme previa a Medida Provisória 579 convertida em lei.

O leilão A-1 contrata energia existente para ajustar a demanda das distribuidoras para o ano seguinte. Mas durante o ano, leilões de energia existente para contratação de curto prazo das distribuidoras não tiveram oferta de energia por parte das geradoras -- já que elas avaliavam que o preço de energia de curto prazo, alto pelo forte acionamento de térmicas, tornava o preço oferecido no leilão menos atrativo para a venda de energia.

"O fato de ter sido anunciado o leilão (A-1) já é positivo. Nós esperamos que haja proponentes no leilão porque se não houver, isso vai ter um impacto muito grande para as distribuidoras em 2014", disse Fonseca Leite.

Ele acrescentou que esse impacto no caixa das distribuidoras de até 6 bilhões de reais considera um PLD alto, na faixa dos 250 reais por megawatt-hora (MWh), e também o fim do decreto que permitiu o uso da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para cobrir a exposição involuntária das distribuidoras diante do forte acionamento de térmicas.

O repasse do CDE só vale até o final do ano.

"Temos tido conversas, apresentamos isso para a Aneel e estamos aguardando uma solução", disse o executivo.

Ele ponderou, no entanto, que as estimativas de impacto no caixa das distribuidoras em 2014 fazem parte de um dos cenários que podem ocorrer.

As distribuidoras têm uma cobertura tarifária de até 110 reais por MWh, ou seja, com o PLD até esse valor, os gastos relacionados à exposição no mercado de curto prazo podem ser cobertos pela tarifa de energia. Além disso, havendo oferta de energia por parte dos geradores no A-1, caso o PLD caia, a subcontratação das distribuidoras poderia ser reduzida ou anulada.

(Por Anna Flávia Rochas)