ANÁLISE-Bunge pode sofrer para atrair compradores a usinas no Brasil

sexta-feira, 25 de outubro de 2013 13:31 BRST
 

Por Chris Prentice e Reese Ewing

NOVA YORK/SÃO PAULO, 25 Out (Reuters) - Quando a Bunge Ltd comprou cinco usinas de açúcar no Estado de São Paulo há quatro anos por 1,5 bilhão de dólares, as unidades foram consideradas as joias da coroa de uma florescente indústria de biocombustíveis.

Agora, as usinas são vistas como pouco mais que ativos de difícil venda e empecilhos, em um momento de poucas margens e preços fracos.

Diante da primeira grande capitulação da empresa às condições ruins do mercado, o novo presidente-executivo da Bunge, Soren Schroder, anunciou na quinta-feira que a companhia irá explorar suas opções, inclusive a venda, do negócio deficitário.

A notícia veio após a empresa colocar a culpa de um prejuízo líquido de 137 milhões de dólares registrado no terceiro trimestre em suas operações de açúcar, prejudicadas pelo mau tempo e pelos baixos preços globais.

Como um dos últimos grandes comerciantes a entrar no mercado de açúcar, parece lógico que eles sejam os primeiros a sair.

Enquanto rivais como a Cargill Inc e a Louis Dreyfus Corp têm sido pilares do comércio mundial da commodity há décadas, a Bunge, focada em grãos, só entrou em 2006 e começou a comprar usinas no Brasil um ano depois.

Mas a Bunge não está sozinha: os custos de fazer negócios no Brasil dispararam em meio a um arrefecimento do frenesi sobre os biocombustíveis do país. Além disso, os preços fracos após quatro anos consecutivos de excesso de oferta reduziram fortemente as margens globais, prejudicando até mesmo as usinas mais eficientes.

"As usinas estão enfrentando um momento difícil. A Bunge é uma das vítimas deste ambiente", disse Bruno Lima, consultor sênior de gerenciamento de risco da INTL FCStone no Brasil.   Continuação...