25 de Outubro de 2013 / às 22:36 / 4 anos atrás

Lucro da Petrobras recua 39% no 3o tri com defasagem de preços

Por Sabrina Lorenzi e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 25 Out (Reuters) - A Petrobras registrou lucro líquido de 3,395 bilhões de reais no terceiro trimestre, queda de 39 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo afetada mais uma vez pelo prejuízo na área de Abastecimento.

O resultado divulgado nesta sexta-feira veio abaixo da expectativa média de analistas ouvidos pela Reuters, de 5,84 bilhões de reais, com o impacto negativo da defasagem de preços de combustíveis em relação aos valores internacionais e por conta do dólar mais forte, que também encareceu as importações.

Na comparação com o segundo trimestre, o lucro recuou 45 por cento.

"Ainda que tenhamos tido quatro reajustes de preço de diesel e dois de gasolina nos últimos 16 meses, totalizando 21,9 por cento e 14,9 por cento de aumento, respectivamente, a forte depreciação do Real verificada desde maio de 2013, chegando a 22 por cento de desvalorização, fez com que a defasagem voltasse a crescer nos últimos meses", afirmou a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, em nota.

A divisão de Abastecimento da Petrobras registrou perdas de 5,52 bilhões de reais no terceiro trimestre, contra prejuízo de 5,65 bilhões de reais no mesmo período do ano passado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador do desempenho operacional, somou 13,09 bilhões de reais, ante 14,37 bilhões de reais um ano antes.

A Petrobras disse que o consumo recorde de diesel no país provocou a disparada nas compras externas, elevando o saldo negativo entre importações e exportações de petróleo e combustíveis para 425 mil barris por dia, um volume bem acima do déficit de 271 mil barris verificado no mesmo período do ano passado.

As importações de derivados da Petrobras dispararam 89 por cento no terceiro trimestre em comparação ao trimestre anterior.

PRODUÇÃO E RECEITA

Já a produção da Petrobras ficou praticamente no mesmo patamar do realizado no segundo trimestre, com a extração de petróleo e gás de 2,52 milhões de barris por dia.

Entre os motivos que impediram a estatal de alcançar melhores níveis de produção, Graça Foster citou o adiamento do início de operação da P-63 de 15 de julho para 31 de outubro e nove meses de atraso da empresa norueguesa Subsea 7 na entrega de sistemas para o FPSO Cidade de São Paulo.

A receita de vendas da estatal somou 77,7 bilhões de reais, contra 73,79 bilhões no mesmo período do ano passado.

As vendas de derivados no trimestre somaram 2,422 milhões de barris diários, ante volume de 2,350 milhões de barris um ano antes.

INVESTIMENTO E ENDIVIDAMENTO

No ano até o final de setembro, os investimentos da Petrobras somaram 69,263 bilhões de reais, quantia 16 por cento maior que a executada no mesmo período de 2012.

O endividamento total da petroleira, por sua vez, disparou 28 por cento em 2013, passando de 196,3 bilhões de reais em 31 de dezembro do ano passado para 250,8 bilhões de reais em 30 de setembro.

A dívida de curto prazo da companhia cresceu 19 por cento neste período, para 18,1 bilhões de reais.

A presidente da Petrobras também destacou a continuidade de programas para redução de custos, e disse que a estatal realizou desinvestimentos de 4,8 bilhões de dólares neste ano.

Com reportagem adicional de Roberto Samora

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