30 de Outubro de 2013 / às 19:30 / 4 anos atrás

OGX confirma expectativa e pede recuperação judicial com dívida de R$11,2 bi

Sede da OGX no centro do Rio de Janeiro. 29/10/2013 REUTERS/Sérgio Moraes

Por Sabrina Lorenzi e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 30 Out (Reuters) - A endividada petroleira OGX, do empresário Eike Batista, entrou nesta quarta-feira com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, num passo que já era esperado para tentar evitar a falência.

O pedido de recuperação --feito na 4a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro-- tornou-se a única alternativa para a companhia depois que fracassaram as negociações com detentores de 3,6 bilhões de dólares em bônus no exterior para uma reestruturação da dívida.

A petroleira declarou dívida consolidada de 11,2 bilhões de reais no pedido de recuperação judicial e disse que não tem qualquer endividamento bancário nem créditos com garantias reais, segundo documento obtido pela Reuters.

“Não foi uma surpresa. Sabíamos que iria acontecer. Até o engraxate sabia que isso iria acontecer”, disse o vice-chairman e gestor de porfólio da Loomis Sayles, Dan Fuss, da instituição que administra 193,5 bilhões de dólares em ativos, incluindo bônus da OGX.

Se o tribunal de falências aprovar o pedido, a OGX terá 60 dias para apresentar um plano de reestruturação da companhia.

“Acreditamos que (o pedido) seja deferido pelo juiz e que seja proveitoso para credores, acionistas e para o país. A OGX possui ativos para viabilizar sua recuperação” afirmou o advogado Marcio Costa, do escritório de advocacia Sergio Bermudes, que participa do processo.

Para os advogados da empresa, a recuperação judicial evita um “cenário indesejável de falência”, que implicaria em caducidade de concessões de exploração de áreas de petróleo e perda integral de valores investidos, segundo a petição na Justiça.

Os credores da OGX --que incluem a Pacific Investment Management Co (Pimco), que administra o maior fundo de títulos do mundo, com sede na Califórnia, e o fundo de investimento norte-americano BlackRock Inc, entre outros-- terão então 30 dias para aprovar ou rejeitar o plano.

O pedido de recuperação da OGX marca mais um capítulo no desmantelamento do que já foi um império industrial, com ativos de energia, mineração e infraestrutura, entre outros, do grupo “X”. O fracasso da campanha exploratória da OGX --antes considerada o ativo mais precioso do Grupo EBX-- contaminou as outras empresas de Eike.

QUASE NO VERMELHO

A OGX estima necessidade de curto prazo de 250 milhões de dólares em capital e ficará sem recursos na última semana de dezembro se não conseguir levantar dinheiro novo, conforme informações do plano de reestruturação aos detentores de bônus que fracassou.

A empresa tinha 82 milhões de dólares no fim de setembro e seus assessores financeiros na negociação com os credores externos --Blackstone e Lazard-- estimam desembolsos de 89 milhões de dólares apenas a fornecedores até o fim do ano, considerando somente pagamentos críticos a prestadores de serviço no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos.

Em Tubarão Martelo, a petroleira busca começar a produzir em meados de novembro, a fim de gerar receita para atenuar sua situação.

O valor atribuído à toda OGX, de acordo com o plano apresentado aos credores dias atrás, é de 2,7 bilhões de dólares --principalmente composto pelos campos de Tubarão Martelo (1,4 bilhão de dólares) e Atlanta (1,1 bilhão de dólares), este último situado no BS-4.

No pedido de recuperação judicial, os advogados da OGX apontam para uma receita potencial de 17,2 bilhões de dólares com as explorações dos campos de Tubarão Martelo e BS-4 durante a vida útil das áreas e com base nas reservas prováveis de óleo.

A OGX estima ter perdido 3,6 bilhões de reais com o fracasso na exploração das áreas de Tubarão Azul, Tubarão Areia, Tubarão Tigre e Tubarão Gato, de acordo com a petição.

O pedido de recuperação judicial da OGX pode ter implicações sobre o destino da empresa-irmã, a construtora naval OSX, que foi criada para fornecer plataformas de exploração à petroleira. A OSX, entretanto, disse nesta semana que não tem intenção de entrar com pedido de recuperação judicial.

QUEDA DE EIKE

É pouco provável que o pedido de recuperação judicial da OGX tenha um efeito significativo na economia do Brasil, pois a companhia está em fase inicial e produz pouco petróleo.

Mas trata-se de mais um exemplo vívido da queda dramática de Eike --um empresário de renome que disse certa vez estar no caminho certo para se tornar o homem mais rico do mundo.

Aos 56 anos, ele viu sua fortuna pessoal reduzida em mais de 30 bilhões de dólares nos últimos 18 meses, com investidores punindo as ações de suas empresas listadas em bolsa.

O valor de mercado da OGX, por exemplo, despencou em quase 45 bilhões de dólares desde o pico atingido em meados de 2010.

Nesta quarta-feira, a ação da OGX operou em queda durante todo o pregão, mas acelerou a baixa após a notícia sobre o pedido de recuperação judicial. Nos ajustes de fechamento do pregão, o papel saiu da mínima para encerrar com desvalorização de 26 por cento, valendo 0,17 real.

Com o pedido de recuperação judicial, a negociação das ações da OGX na bolsa paulista ficará suspensa.

A recuperação judicial envolve quatro sociedades: OGX Petróleo e Gás Participações (listada na Bovespa), OGX Petróleo e Gás S.A., OGX International e OGX Austria GMBH.

Reportagem adicional de Jennifer Ablan, em Nova York

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