Brasil tem déficit primário de R$9 bi em setembro, pior para esses meses

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 12:35 BRST
 

BRASÍLIA, 31 Out (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit primário de 9,048 bilhões de reais em setembro, o pior resultado para esses meses desde o início da série histórica, agravando a situação fiscal e praticamente jogando uma pá de cal no cumprimento da meta ajustada para 2013.

O resultado, abatido pelo mau desempenho da Previdência, foi muito pior que o esperado por analistas consultados pela Reuters, cuja mediana apontava saldo positivo de 100 milhões de reais e tinha como pior visão déficit de 2,6 bilhões de reais.

Mesmo assim, o BC mantém a sua visão de que a política fiscal do governo caminha para a neutralidade, depois de passar algum tempo classificando-a como expansionista.

Em 12 meses até setembro, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,58 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), afastando-se da meta ajustada de 2,3 por cento. No acumulado do ano, o superávit primário somou 44,965 bilhões de reais em setembro e, para que se chegue no objetivo, será necessária economia de cerca de 65 bilhões de reais no último trimestre do ano.

A meta cheia de superávit primário para este ano era de 155,9 bilhões de reais, cerca de 3,1 por cento do PIB, mas foi reduzida diante da economia fraca e da elevada renúncia tributária decorrente das desonerações.

Em agosto, as contas públicas brasileiras já haviam sido ruins, com o primeiro déficit primário --de 432 milhões de reais-- para estes meses.

"Nós esperamos que o superávit primário fique entre 1,5 e 2,0 por cento do PIB em 2013 (abaixo dos 2,3 por cento da meta oficial), com o governo devendo continuar a utilizar o orçamento para estimular a economia", afirmou o economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

O pagamento do 13º salário de aposentados e pensionistas pesou na conta e, como avançou sobre setembro, continuou refletindo negativamente, elevando o rombo da Previdência e o déficit fiscal no mês.

No mês passado, segundo o BC, a maior influência sobre o resultado fiscal brasileiro veio do governo central --formado pelo governo federal, Previdência Social e Banco Central-- que apresentou déficit de 10,760 bilhões de reais. Só com a Previdência, o rombo foi de 11,763 bilhões de reais, o dobro do resultado de agosto.   Continuação...