Déficit primário recorde em setembro coloca meta do ano em xeque

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 18:12 BRST
 

Por Luciana Otoni e Tiago Pariz

SÃO PAULO, 31 Out (Reuters) - O setor público brasileiro registrou o pior resultado primário para meses de setembro, afetado por despesas da Previdência, praticamente enterrando as chances cumprir sua meta neste ano e levando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a vir a público para anunciar que novas reduções de despesas estão sendo estudadas.

O esforço, no entanto, não chegou a convencer parte dos especialistas, que continua projetando que a meta ajustada de primário --de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)-- não será alcançada, colocando em risco a percepção de risco do país. E, dentro do governo, ampliar o abatimento da meta já começa a ganhar espaço como uma possibilidade.

"Queria falar do esforço permanente do governo para diminuir as despesas ou controlá-las de modo a obter um bom resultado fiscal", afirmou Mantega nesta tarde, ao convocar uma coletiva de imprensa.

Pela manhã, o Banco Central divulgou que déficit primário do setor público somou 9,048 bilhões de reais no mês passado e, em 12 meses até setembro, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,58 por cento do PIB.

No acumulado do ano, o resultado primário somou 44,965 bilhões de reais e, para chegar à meta ajustada será necessária economia de cerca de 65 bilhões de reais no último trimestre.

Uma fonte do governo admite que o governo não conseguirá cumprir a meta ajustada e cita que uma das hipóteses seria o governo elevar o abatimento da meta de 45 bilhões reais --estimados até agora-- para 65 bilhões de reais, como prevê a lei.

Uma fonte próxima da equipe econômica, por outro lado, disse à Reuters que o governo não está estudando elevar o abatimento por enquanto, mas ponderou que essa margem de manobra "não pode ser esquecida".

O governo estabeleceu como objetivo abater os 45 bilhões de reais da meta de superávit primário neste ano, ajustando-a para 2,3 por cento do PIB, diante do baixo crescimento econômico e das fortes desonerações. A meta cheia de primário de 2013 foi fixada em 155,9 bilhões de reais, ou cerca de 3,1 por cento do PIB.   Continuação...