Fraturamento do gás de xisto traz baixo risco à saúde, diz governo britânico

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 14:56 BRST
 

Por Kate Kelland

LONDRES, 31 Out (Reuters) - Os riscos causados à saúde pública pela exposição às emissões do processo de fraturamento realizado na exploração do gás de xisto são baixos, desde que as operações sejam administradas e regulamentadas adequadamente, afirmou nesta quinta-feira a agência governamental de saúde britânica.

Numa avaliação do potencial impacto para a saúde causado pela fraturamento hidráulico, que envolve o bombeamento de água e produtos químicos para dentro de densas formações rochosas de xisto para forçar a saída de gás e óleo, a entidade Saúde Pública da Inglaterra (PHE, na sigla em inglês) disse que os impactos à saúde provavelmente são mínimos.

Como no momento não há fraturamento na Grã-Bretanha, o relatório da PHE examinou evidências de países como os Estados Unidos, e afirma que a maioria delas indica que qualquer risco à saúde normalmente decorre de falhas operacionais.

"As evidências disponíveis atualmente indicam que os potenciais riscos à saúde pública pela exposição às emissões associadas ao processo de extração do gás de xisto são baixos se as operações forem administradas e regulamentadas adequadamente", disse o diretor do centro para a área de riscos químicos, de radiação e meio ambiente da PHE, John Harrison.

"Construção e manutenção muito boas são essenciais para reduzir os riscos de contaminação da água subterrânea", acrescentou.

Interessado em estimular um boom de produção no estilo do que acontece nos EUA, e assim compensar as decrescentes reservas de gás e petróleo do Mar do Norte, o governo britânico liderado pelos conservadores vem apoiando o fraturamento como uma "revolução energética" que poderia criar empregos e reduzir os preços da energia.

Mas ativistas dizem que o governo deveria investir mais em energia renovável. Grupos defensores do meio ambiente vêm promovendo amplos protestos contra a exploração do xisto, argumentando que pode poluir as reservas de água e causar terremotos.

No começo do mês, o Greenpeace disse que iria incentivar os proprietários de terra britânicos a se unirem legalmente na oposição ao fraturamento, uma iniciativa que poderia fortalecer a oposição à exploração e aproveitamento do gás de xisto no país.

Em resposta ao relatório da PHE, Quentin Fisher, professor de geoengenharia do petróleo na Universidade de Leeds, disse que esse é "mais um estudo" sugerindo ser improvável a contaminação da água no subsolo durante a fraturamento.

"O relatório traz ainda mais provas de que a produção de gás de xisto pode ser feita de modo muito seguro", acrescentou.