ESPECIAL-Investidores da China se frustram com Brasil e projetos travam

sexta-feira, 1 de novembro de 2013 13:59 BRST
 

Por Brian Winter e Caroline Stauffer

SÃO PAULO, 1 Nov (Reuters) - Para investidores chineses, o Brasil não é mais a terra prometida.

Depois de fazer uma grande aposta na maior economia da América Latina em busca de matérias-primas como minério de ferro, bem como em um mercado consumidor promissor, executivos chineses têm ficado cada vez mais frustrados com um estagnado crescimento econômico, custos elevados e o que eles veem como uma reação adversa à sua presença.

Como resultado, o investimento chinês no Brasil está caindo, e até dois terços dos cerca de 70 bilhões de dólares em projetos anunciados desde 2007 estão em compasso de espera ou foram cancelados, de acordo com várias entrevistas e estudos independentes.

O esfriamento repentino, que investidores e analistas mostram pouca esperança de chance de haver uma trégua em breve, vai privar a economia brasileira de uma fonte importante de capital para impulsionar a atividade nos próximos anos.

"O calor pelo investimento no Brasil está diminuindo. Operar no Brasil é um grande desafio", disse o presidente-executivo da unidade brasileira do Bank of China Ltd, que está entre os quatro maiores bancos comerciais estatais do país asiático, Zhang Dongxiang.

Em uma rara entrevista em seu escritório de São Paulo que incluiu algumas das críticas mais afiadas ao Brasil por qualquer líder empresarial chinês até agora, Zhang queixou-se da crescente hostilidade do governo brasileiro, bem como de políticas "protecionistas" durante o governo da presidente Dilma Rousseff.

"A opinião pública às vezes parece ser contra o investimento estrangeiro. Em alguns setores, se percebe uma atitude protecionista, um temor de que o investimento estrangeiro acabe com a indústria local", afirmou ele, numa entrevista em mandarim com intérprete. "Existem algumas idéias antiquadas."

Embora algumas empresas chinesas estejam tendo sucesso no Brasil, há várias que "estão com dúvidas".   Continuação...

 
Bandeira da China é vista em frente a prédio em construção, em Pequim. Depois de fazer uma grande aposta na maior economia da América Latina em busca de matérias-primas como minério de ferro, bem como em um mercado consumidor promissor, executivos chineses têm ficado cada vez mais frustrados com um estagnado crescimento econômico, custos elevados e o que eles veem como uma reação adversa à sua presença. 24/04/2013 REUTERS/Kim Kyung-Hoon