1 de Novembro de 2013 / às 14:43 / 4 anos atrás

Produção industrial sobe 0,7% em setembro, abaixo do esperado, e fecha 3º tri com contração

Robôs soldam carro em linha de montagem da Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo. A produção industrial brasileira recuperou-se de dois meses de fraqueza ao avançar 0,7 por cento em setembro na comparação com agosto, com impulso do segmento de bens de capital, mas ainda assim ficou abaixo do esperado e destaca a volatilidade do setor. 14/06/2012.Paulo Whitaker

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 1 Nov (Reuters) - A produção industrial brasileira recuperou-se de dois meses de fraqueza ao avançar 0,7 por cento em setembro na comparação com agosto, com impulso do segmento de bens de capital, mas ainda assim ficou abaixo do esperado e destaca a volatilidade do setor.

Na comparação com setembro de 2012, a produção avançou 2,0 por cento, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No terceiro trimestre, houve retração de 1,4 por cento, ante expansão de 1 por cento nos três meses anteriores.

Pesquisa da Reuters apontava na mediana alta de 1,20 por cento na comparação mensal e avanço de 2,80 por cento ante o mesmo mês do ano passado.

A produção brasileira voltou crescer após ter estagnado em agosto e recuado 2,4 por cento em julho na comparação mensal.

"Setembro é uma situação melhor que em meses anteriores, mas não reverte as perdas de maio a agosto na produção", disse o economista do IBGE André Macedo, destacando que nesse período a perda acumulada é de 2,3 por cento.

BENS DE CAPITAL

Em setembro, o destaque ficou para a categoria Bens de Capital, medida de investimento, que avançou 4 por cento ante agosto e 24,1 por cento ante o mesmo período de 2012.

"A produção de bens de capital parece ser o único setor que escapa da maldição industrial. Entretanto, não foi suficiente para impedir queda no investimento (no terceiro trimestre), de acordo com nossas estimativas", destacou o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwarstman, hoje sócio-diretor da Schwartsman & Associados, estimando recuo de 4,1 por cento do investimento entre julho e setembro.

O segmento de Bens Intermediários ficou estagnado na comparação mensal e apresentou avanço de 0,4 por cento ante setembro do ano passado.

Por outro lado, a categoria Bens de Consumo recuou 0,2 por cento ante agosto, pressionado pela queda de 1,4 por cento na produção de semiduráveis e não duráveis, terceiro mês seguido de resultado negativo e que anulou parte da alta de 2,3 por cento em duráveis. Ante setembro de 2012, a produção de bens de consumo teve queda de 0,9 por cento.

Para o IBGE, o setor de bens de consumo não duráveis espelha bem o ritmo lento da economia, uma vez que estão diretamente ligados à demanda interna.

"As hipóteses para essa queda são fatores como a inflação mais alta, porque ela diminui a renda disponível, o comprometimento da renda das famílias e a importação de bens", avaliou Macedo.

VEÍCULOS

Pelos ramos de atividade, 13 dos 27 pesquisados apresentaram alta mensal, com destaque para veículos automotores, que registrou expansão de 6,2 por cento.

"Nos próximos meses, devemos ter um impacto negativo sobre a produção da indústria pela simples regularização dos estoques da indústria automobilística. Isso implica que a indústria deve continuar exibindo o comportamento errático visto nos últimos meses, porém com altas bem menos acentuadas.", avaliou a Rosenberg Consultores Associados em nota.

Por outro lado, segundo o IBGE, a produção de impressão e reprodução de gravações caiu 12,2 por cento e o refino de petróleo e produção de álcool mostrou queda de 4,5 por cento.

A indústria brasileira enfrenta um ano de performance errática, apresentando dificuldades de firmar recuperação apesar de medidas de estímulo do governo. Neste ano, houve queda de produção em três meses na base mensal, todas na casa de 2 por cento.

No último trimestre, ainda segundo o IBGE, a categoria bens de consumo duráveis recuou 4,1 por cento sobre abril a junho deste ano, enquanto que bens de consumo semi e não duráveis e bens intermediários tiveram retração de 1 e 0,7 por cento, respectivamente.

Apenas a categoria bens de capital mostrou expansão no trimestre passado, de 1,4 por cento, mas inferior aos 4,2 por cento vistos no segundo trimestre. Os dados sinalizam que a atividade econômica brasileira como um todo teve mau desempenho no terceiro trimestre.

Para outubro, entretanto, há sinal de alguma melhora. A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) compilada pelo Markit aponta que a indústria brasileira voltou a registrar expansão pela primeira vez em quatro meses no mês passado, em meio a níveis mais altos de produção.

Os analistas acreditam, segundo última pesquisa Focus do Banco Central, que a produção industrial do Brasil terá expansão de 1,80 por cento neste ano e de 2,39 por cento em 2014.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro; Edição de Patrícia Duarte

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below