ENTREVISTA-Política fiscal e "coerção" do mercado impedem juro menor--Belluzzo

sexta-feira, 1 de novembro de 2013 18:55 BRST
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 1 Nov (Reuters) - A fragilidade das contas fiscais combinada com a "coerção" imposta pelo mercado financeiro vão manter por um longo período as taxas de juros brasileiras em patamares mais elevados, afirmou à Reuters o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff sobre economia.

Com uma visão ácida sobre os agentes financeiros, mas também crítica sobre a atuação do governo na condução da política econômica, Belluzzo não mede palavras para expressar seus sentimentos sobre os dois lados.

Ele acredita que os atuais problemas fiscais brasileiros devem-se a uma conjunção de fatores: falta de cuidado na política fiscal, letargia do empresariado brasileiro e acomodação do mercado com os altos rendimentos dos ativos.

"Se olhar o jogo entre Banco Central e mercado, a expectativa é que nós vamos demorar sim para a Selic voltar para as mínimas históricas", afirmou o professor à Reuters em entrevista por telefone nesta sexta-feira. "Neste regime, se você não tem força suficiente, tem que ser cuidadoso com a política fiscal", emendou.

Diante da fragilização do superávit primário --a economia que o governo faz para pagar juros da dívida-- e de uma aceleração da inflação, o BC iniciou um processo de aperto monetário que levou a taxa básica Selic de 7,25 por cento para 9,5 por cento ao ano.

A expectativa é que a Selic volte a dois dígitos neste mês, quando o BC deverá elevar o juro em 0,50 ponto percentual.

Em 2013, as contas públicas registraram crescente deterioração, culminando com o péssimo resultado primário em setembro que praticamente sepultou as chances de o governo cumprir a meta de superávit primário ajustada para o ano de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

"Esse ano o resultado do fiscal vai ser inferior do que estava prometido. Está muito difícil conseguir os 2,3 por cento mesmo com auxílio do bônus do pré-sal", disse Belluzzo.   Continuação...