Tombini: política monetária deve continuar "especialmente vigilante"

segunda-feira, 4 de novembro de 2013 18:00 BRST
 

FORTALEZA, 4 Nov (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou nesta segunda-feira que a autoridade monetária tem de permanecer "especialmente vigilante" no combate à alta dos preços, expressão que o BC tem usado desde o início do atual ciclo de aperto monetário, em abril passado.

"O Banco Central do Brasil tem agido para fazer com que a variação dos índices de preços observada nos últimos 12 meses seja percebida pelos agentes econômicos como um processo de curta duração. Dessa forma, a persistência da inflação tende a diminuir", afirmou Tombini durante abertura do V Fórum sobre Inclusão Financeira, em Fortaleza.

"Entretanto, para que a inflação observada nos últimos 12 meses efetivamente se revele um processo de curta duração, a política monetária deve se manter especialmente vigilante", acrescentou.

A inflação medida pelo IPCA continua em patamares considerados elevados, próxima de 6 por cento. A meta do governo é de 4,5 por cento, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

A maioria dos agentes econômicos acredita que a inflação não deve perder muita força pelo menos até o próximo ano.

Em setembro, o IPCA acumulou alta de 5,86 por cento em 12 meses e foi um dos pilares para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC mantivesse o ritmo de alta da taxa básica de juro Selic, levando-a ao atual patamar de 9,50 por cento. A expectativa é de que a Selic continue subindo.

Durante sua fala, o presidente do BC disse ainda que o controle da inflação ajuda a estimular a confiança e os investimentos, e argumentou que a crescimento econômico brasileiro "tem se materializado de forma gradual".

"A velocidade de materialização dos ganhos esperados depende do fortalecimento da confiança das empresas e das famílias", afirmou ele. "A expansão dos investimentos será consequência da velocidade do fortalecimento em que a confiança se materializar", acrescentou.

Tombini também afirmou que a recuperação global vai ajudar a atividade local.

"As perspectivas de maior crescimento global, em particular de importantes parceiros comerciais do Brasil, militam no sentido de que a demanda externa tende a contribuir mais intensamente do que nos últimos anos para o crescimento da economia brasileira", afirmou.

(Por Luciana Otoni)