Dólar sobe 2% e caminha para R$2,30, de olho no Fed e fiscal

terça-feira, 5 de novembro de 2013 19:54 BRST
 

Por Marília Carrera e Bruno Federowski

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O dólar saltou quase 2 por cento nesta terça-feira, caminhando para 2,30 reais, com investidores preocupados com a piora no cenário fiscal brasileiro e cautelosos antes da divulgação de importantes dados econômicos nos Estados Unidos, que podem trazer sinais mais claros sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.

Com a escalada do dólar ante o real, já começa haver discussões nas mesas de câmbio de que o Banco Central brasileiro poderia aumentar a intensidade de suas intervenções nos mercados, de olho no impacto da valorização do dólar sobre os preços.

O dólar avançou 1,98 por cento nesta sessão, a 2,2893 reais na venda, após atingir 2,2946 dólares na máxima do dia. É a maior alta de fechamento para a divisa desde 21 de agosto, quando subiu 2,39 por cento, um dia antes de o BC anunciar seu programa de intervenções diárias no mercado.

Segundo dados da BM&F, o volume de negócios ficou em aproximadamente 1,5 bilhão de dólares.

"Os motivos da alta do dólar são as notícias sobre o déficit (primário) no país e a preocupação com a decisão do Fed (sobre a redução dos estímulos)", resumiu o gerente de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Os investidores estão temerosos com a situação fiscal brasileira depois da divulgação, na quinta-feira, que o setor público registrou o pior déficit primário para meses de setembro, praticamente enterrando a possibilidade de a meta ajustada, de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ser atingida neste ano.

Com a deterioração das contas públicas, deterioram as avaliações de risco sobre a economia brasileira, algo que pode espantar os investidores estrangeiros e reduzir a entrada de moedas no país.

A disparada do dólar no mercado brasileiro ocorreu mesmo com a atuação diária do BC que, nesta manhã, realizou mais um leilão de swap cambial tradicional, com a venda de 8,1 mil contratos com vencimento em 1º de abril de 2014 e 1,9 mil contratos com vencimento 2 de junho de 2014. Os volumes financeiros equivalentes das operações foram de 403 milhões e 94,2 milhões de dólares, respectivamente.   Continuação...