6 de Novembro de 2013 / às 20:59 / 4 anos atrás

Carlos Hamilton, do BC: inflação continua elevada e resistente

Por Luciana Otoni

FORTALEZA, 6 Nov (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta quarta-feira que a inflação continua elevada e resistente, dando indicações de que o aperto dos juros para o controle da inflação deve continuar.

O diretor disse ainda que a política fiscal brasileira pode se deslocar para a neutralidade e manteve a projeção de que a inflação neste ano será menor do que a de 2012.

"Além da dinâmica da demanda e da oferta, nesse período (12 meses) tivemos depreciação do real que certamente em alguma medida se manifesta na dinâmica dos índices de preços no atacado e no varejo e também choque de alimentos registrados no segundo semestre de 2012 e no primeiro semestre de 2013 deste ano", disse o diretor.

Apesar de resistente, o diretor disse, no entanto, que a inflação deste ano pode ficar abaixo dos 5,84 por cento registrados em 2012, considerando o efeito da alta dos juros na desaceleração dos preços.

A inflação continua elevada e resistente mesmo diante do forte aperto monetário posto em prática pelo BC desde abril deste ano. Nesse período, a Selic saiu da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para 9,5 por cento ao ano em outubro, com indicações do BC de que o aperto continuará.

POLÍTICA FISCAL

O diretor voltou a reafirmar que a política fiscal do governo converge para uma zona de neutralidade.

"De acordo essa medida (superávit estrutural), temos a visão de que a política fiscal para se deslocar para a neutralidade dentro do horizonte relevante da política monetária, que vai até 2015."

Essa avaliação de Carlos Hamilton foi feita após a forte repercussão negativa do mau desempenho fiscal do governo. Em setembro, o setor público consolidado (governo central, Estados e municípios e empresas estatais) registrou déficit primário de 9 bilhões de reais.

Em 12 meses encerrados em setembro, a economia para o pagamento dos juros da dívida está em 1,58 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), colocando em dúvida a capacidade do governo de cumprir a meta ajustada de superávit (de 2,3 por cento) e reforçando apostas de que as agências de rating podem rebaixar a nota do Brasil.

"Os números (de primário) que saíram de setembro não se afastam dos números com os quais já trabalhávamos", afirmou o diretor.

INTERVENÇÕES

O diretor do BC disse ainda que o programa diário de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra poderá ser prorrogado para além de dezembro deste ano.

"Há essa possibilidade sim, e dependerá das avaliações que fizermos. Essa possibilidade está aberta."

O programa de leilão de câmbio de 60 bilhões de dólares foi lançado em 22 de agosto pelo BC com o objetivo de oferecer proteção cambial aos agentes econômicos em meio à forte volatilidade sobre os mercados de câmbio em agosto.

Ele fez uma avaliação positiva do programa dizendo que está funcionando bem e que há demanda.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below