Política fiscal deveria ser mais "crível"--fonte da equipe econômica

quinta-feira, 7 de novembro de 2013 18:27 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 7 Nov (Reuters) - O esforço público que autoridades em Brasília têm feito para tentar mostrar que a situação fiscal do Brasil não é um pesadelo neste momento não convence a todos dentro do governo, e já começam a ecoar vozes internas que defendem uma meta de superávit primário mais "crível".

"Não adianta ficar prometendo coisas. O ajuste vai ficando cada vez mais elevado", afirmou à Reuters um importante integrante da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, sob condição de anonimato.

A divulgação na semana passada de um déficit primário do setor público consolidado de 9 bilhões de reais em setembro, o pior da série histórica para o mês, deixou bastante remota a possibilidade de o governo atingir sua meta ajustada de superávit primário de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

A reação nos mercados foi imediata, com o dólar subindo mais de 5 por cento ante o real do fim do mês passado para cá e os juros futuros mostrando elevações quase que diárias.

A fonte da equipe econômica destacou que os custos da atual política fiscal passam pela avaliação de risco do país e, no limite, podem afetar a inflação e o próprio crescimento econômico.

Para a fonte, existem argumentos para o que o governo assuma uma postura mais "crível" sobre a condução da política fiscal a partir de 2014, pois existem fundamentos que sustentam essa atitude. Como exemplo, a fonte citou a expectativa de retirada gradual de parte das desonerações e a redução de ações que têm influência sobre a dívida bruta do país.

"Dá para mostrar algo razoável (em termos fiscais) para 2014 e os anos seguintes", afirmou a fonte, para quem a meta ajustada em 2013 de superávit primário não será mesmo atingida.

Inicialmente, a meta em 2013 era de um superávit primário --a economia feita pelo governo para o pagamento de juros sobre a dívida-- de 3,1 por cento do PIB. Mas o governo já anunciou que usará a prerrogativa que tem para abater investimentos e desonerações da meta no valor de 45 bilhões de reais.   Continuação...