Alitalia prevê demissões em massa; não deve ter socorro da Air France

terça-feira, 12 de novembro de 2013 18:17 BRST
 

ROMA/MILÃO, 12 Nov (Reuters) - A endividada companhia aérea italiana Alitalia planeja a primeira demissão em massa desde que foi privatizada em 2008 para reduzir custos, mas uma fonte disse que a medida não deve ser suficiente para persuadir a maior acionista da empresa, a Air France-KLM, a resgatá-la com uma injeção de capital.

O presidente-executivo da Alitalia, Gabriele del Torchio, especialista em reestruturações, deve revelar seu plano em encontro do Conselho agendado para quarta-feira, às 17h GMT (15h de Brasília).

Diversas fontes disseram que o plano deve contemplar o corte de até 2 mil empregos, além de reduções salariais, num esforço para tornar a Alitalia mais eficiente e rentável.

Isso deixaria aos acionistas apenas um dia para decidir se participarão do aumento de capital de 300 milhões de euros (403 milhões de dólares) para manter a companhia aérea italiana nos eixos.

A Air France-KLM, que já deu baixa no valor contábil da sua fatia de 25 por cento na companhia, afirma que só vai injetar mais dinheiro na empresa "sob condições muito rigorosas".

Uma fonte com conhecimento do assunto disse que a probabilidade do grupo franco-holandês participar do aumento de capital era "muito baixa", porque a Air France vê a dívida da Alitalia --de 813 milhões de euros ao fim de setembro--como alta demais. O futuro da companhia aérea está nas mãos dos bancos que precisavam cortar sua dívida, disse a fonte.

"O plano industrial (incluindo o corte de 2 mil empregos) está na direção certa, mas o plano financeiro não garante o futuro da Alitalia no médio prazo", afirmou a fonte.

A Air France-KLM também viu a meta da Alitalia de atingir o equilíbrio operacional entre receitas e despesas em 2014 como irrealista, acrescentou a fonte, sob condição de anonimato. "Os bancos têm a chave para o futuro da Alitalia. Eles devem concordar em cancelar parte da dívida."

A Air France-KLM e outros investidores têm até sexta-feira para avaliar a estratégia, que foi atualizada ante versão inicialmente apresentada por Del Torchio em julho, decidindo se querem ou não subscrever parte do aumento de capital.

A Alitalia e um porta-voz da Air France não quiseram comentar o tema.

(Por Agnieszka Flak e Cyril Altmeyer)