13 de Novembro de 2013 / às 14:47 / 4 anos atrás

Vendas no varejo desaceleram alta a 0,5% em setembro, abaixo do esperado

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 13 Nov (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo sétimo mês seguido em setembro ao avançarem 0,5 por cento ante agosto, porém o ritmo mostrou desaceleração e ficou abaixo do esperado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também informou nesta quarta-feira que sobre setembro de 2012 as vendas registraram crescimento de 4,1 por cento, no pior desempenho para o mês neste tipo de comparação desde 2003 (-2,8 por cento).

A mediana das projeções de analistas ouvidos pela Reuters apontava para alta de 0,7 por cento nas vendas em setembro ante o mês anterior e de 4,50 por cento na comparação anual.

Segundo o IBGE, os resultados mais fracos que o esperado são explicados pela combinação de inflação, câmbio e economia morna.

"O comércio é resultado do comportamento econômico do país. Os números são positivos mas não no patamar que se esperava", avaliou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.

ALIMENTOS

Na comparação mensal, cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram crescimento. Os principais destaques foram outros artigos de uso pessoal e doméstico, com avanço de 2,4 por cento, e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 1,3 por cento.

Já o avanço do setor de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de 0,6 por cento, foi afetado pela alta do dólar e pela inflação. Isso porque embora a alta dos preços tenha dado recentemente sinais de arrefecimento, a inflação vem sendo pressionada pelos alimentos.

Em 12 meses até setembro, o IPCA acumulou alta de 5,86 por cento, enquanto a alimentação em domicílio chegou a 8,7 por cento, segundo o IBGE.

"Os alimentos sobem menos mas ainda estão num nível elevado. E ainda teve o efeito da alta do trigo por problemas de oferta e do dólar. Isso encareceu os preços de macarrão, biscoito, pães e outros derivados", disse a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Na ponta oposta, tiveram resultados negativos equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 0,7 por cento, seguido pelo recuo de 0,2 por cento em móveis e eletrodomésticos. Ambos foram afetados pelo dólar alto, segundo o IBGE.

Já as vendas no varejo ampliado --que incluem veículos e material de construção-- mostraram queda de 0,7 por cento em setembro ante agosto, com recuo de 5,1 por cento nas vendas de veículos e motos, partes e peças.

O IBGE também informou nesta manhã que a receita nominal teve alta de 0,8 por cento em setembro ante agosto e avançou 10,6 por cento sobre um ano antes, considerando o varejo restrito.

"O resultado mostra acomodação do crescimento das vendas no varejo. (Mas) o consumo das famílias ainda é o grande pilar do crescimento econômico, embora tenha enfraquecido", afirmou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, para quem o varejo deve encerrar o ano com alta de 5,5 por cento, e a economia, com expansão de 2,1 por cento.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro

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