13 de Novembro de 2013 / às 15:02 / 4 anos atrás

Chegou a hora do Fed aceitar que o crescimento dos EUA já não é como antes?

Presidente do Federal Reserve de Richmond, Jeffrey Lacker, durante conferência econômica em Charlotte, no Estado de Carolina do Norte, EUA. Ano após ano, autoridades do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vêm se atendo à crença de que a economia do país irá em breve retomar seu ritmo pré-recessão. E ano após ano, elas têm se enganado. "Essa sensação de que o crescimento do PIB real irá acelerar em breve --estou muito cético quanto a isso", disse neste mês Lacker. 17/12/2012. REUTERS/Chris Keane

Por Jonathan Spicer e Ann Saphir

NOVA YORK/SÃO FRANCISCO, 13 Nov (Reuters) - Ano após ano, autoridades do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vêm se atendo à crença de que a economia do país irá em breve retomar seu ritmo pré-recessão. E ano após ano, elas têm se enganado.

Agora um número crescente de economistas e pelo menos uma autoridade importante do Fed acham que os norte-americanos devem diminuir suas expectativas.

Eles argumentam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer a uma taxa anual de 2 por cento, em vez de 3 por cento ou mais, dada a aposentadoria de “baby boomers” e a extensão como a Grande Recessão desencorajou os trabalhadores e prejudicou duramente as setores como o financeira e o de construção.

Se estiverem certos, o auge da explosão de produtividade pode ter passado, e as políticas monetárias agressivas do banco central podem estar mal orientadas e possivelmente podem ser até mesmo prejudiciais. Se o Fed mantiver a política muito frouxa para essa economia mais fraca, isso poderia levar para uma inflação descontrolada e bolhas de ativos.

Nos cinco anos desde o período mais severo da crise financeira, o Fed tem reduzido as taxas de juros para quase zero e comprou mais de 3,8 trilhões de dólares em títulos para estimular o crédito ao consumidor e às empresas e a recuperação nos empregos e no crescimento econômico.

“Essa sensação de que o crescimento do PIB real irá acelerar em breve --estou muito cético quanto a isso”, disse neste mês o presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, citando entre outras coisas a apreensão dos consumidores com os efeitos de mais uma recessão profunda.

“Eu sei que é uma estimativa popular, mas estou cético”, disse Lacker, que há muito tempo tem feito oposição às políticas extremamente expansionistas do Fed. “Eu vejo crescimento de 2 por cento adiante.”

Muitos de seus colegas do banco central discordam.

Em setembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do banco esperava crescimento de cerca de 3 por cento do PIB no próximo ano, e até 3,5 por cento em 2015 conforme a economia tenta se recuperar do impacto da recessão de 2007 a 2009. Uma série de indicadores de atividade empresarial superaram as expectativas recentemente, fornecendo algumas evidências de fortalecimento da perspectiva para o curto prazo.

“Estamos vendo sinais positivos contínuos do impulso”, disse a repórteres na semana passada o presidente do Fed de São Francisco, John Williams, que possui visão centrista da política monetária.

Mas durante a lenta recuperação, o Fed tem se mostrado otimista demais, regularmente reduzindo as estimativas, que até mesmo em setembro estava bem acima da realidade.

No início de 2010, por exemplo, o banco projetou que o PIB cresceria de 3,5 por cento a 4,5 por cento em 2012; até o início de 2012, a estimativa fora cortada para um patamar de 2,2 por cento a 2,7 por cento. No fim das contas, a economia cresceu apenas 2 por cento.

Muitos economistas do Fed e de outros lugares acreditam que uma série de forças contrárias --desde a crise de dívida na Europa até a política fiscal mais apertada em Washington-- tem evitado uma recuperação tão robusta quanto os membros do banco esperavam.

A maioria das autoridades do Fed espera que a economia acelere conforme o peso fiscal perca força, antes de retomar o ritmo na direção de um crescimento de 2,2 a 2,5 por cento que elas consideram sustentável no longo prazo.

Reportagem de Jonathan Spicer e Ann Saphir

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