CENÁRIOS--Falta de chuva amplia atenção sobre reservatórios no Nordeste

quarta-feira, 13 de novembro de 2013 16:21 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 13 Nov (Reuters) - O baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste do país pode gerar dificuldades de suprimento de energia da região se as chuvas não vierem e manter altos os custos de energia elétrica, com forte uso de geração térmica.

A situação dos reservatórios em outras regiões do país não é considerada preocupante por agentes do setor, mas no Nordeste, onde o consumo está em expansão, o nível de 23,59 por cento, segundo dados atualizados na terça-feira, é um dos piores em mais de uma década para o início do período úmido e a perspectiva de chuvas no curto prazo está abaixo da média.

"A gente tem um problema crônico no Nordeste, resultado de um ano de seca....Possivelmente vai haver dificuldade de recomposição dos reservatórios, a não ser que chova acima da média histórica", disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.

Ele não vê problema de suprimento de energia, mas tendência de manutenção de custos mais elevados em 2014, já que a geração térmica tende a ser mantida na região. "E caso a necessidade de demanda do Nordeste não possa ser suprida pelo aumento do reservatório da região, e se utilize água da região Sudeste, impactaria também o custo de geração do Sudeste ao longo do ano, via termelétricas", completou.

Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste já estão sendo poupados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)--as usinas da região estão gerando menos que a sua capacidade e praticamente todas as térmicas locais estão ligadas-- num esforço para economizar água nas represas para o próximo período seco, no ano que vem.

Ainda não é possível prever se haverá dificuldades em 2014, já que agora estamos no início do período úmido e as previsões de chuvas são bastante variáveis. Mas o presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Carlos Ribeiro, sugere que medidas para poupar ainda mais os reservatórios poderiam ser tomadas.

Para evitar maior queda do reservatório, uma opção seria reduzir a geração hidrelétrica na região ainda mais -- o que exigiria maior transferência de energia elétrica de outras regiões para abastecer o Nordeste, já que a geração térmica no Nordeste está praticamente toda acionada.

Mas ao elevar o intercâmbio de energia para o Nordeste, o ONS teria que lidar com o risco de estresse do sistema de transmissão, o que poderia levar a um blecaute, como o ocorrido na região em agosto. "É uma situação de escolher a prioridade entre a operação energética ou elétrica", disse Ribeiro, que já foi diretor de operação do ONS.   Continuação...