TEXTO-Leia o discurso de Janet Yellen a ser feito em audiência no Senado dos EUA

quarta-feira, 13 de novembro de 2013 22:45 BRST
 

WASHINGTON, 13 Nov (Reuters) - A vice-chair do Federal Reserve, Janet Yellen, preparou os seguintes comentários a serem feitos na abertura da audiência do Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, na quinta-feira, para avaliar sua indicação para comandar o banco central dos EUA.

O presidente dos EUA, Barack Obama, nomeou Yellen para liderar o Federal Reserve em substituição a Ben Bernanke, que deixa o posto em janeiro.

Veja abaixo os principais pontos do discurso de Yellen, divulgado nesta quarta-feira pelo Senado dos EUA:

"É um privilégio para mim servir ao Federal Reserve em diferentes épocas e em diferentes papéis ao longo dos últimos 36 anos, e uma honra ser nomeada pelo presidente para liderar o Fed como presidente do Conselho.

"Eu vejo essa tarefa com o claro entendimento de que o Congresso confiou ao Federal Reserve grandes responsabilidades. Suas decisões afetam o bem-estar de todos os norte-americanos, a força e a prosperidade da nossa nação. Essa prosperidade depende mais, é claro, da produtividade e do empreendedorismo do povo norte-americano, mas o Federal Reserve desempenha também um papel, fornecendo condições que promovam o emprego máximo, inflação baixa e estável, e um sistema financeiro seguro e sadio. Os últimos seis anos têm sido um desafio para a nossa nação e difícil para muitos norte-americanos. Nós enfrentamos a pior crise financeira e a recessão mais profunda desde a Grande Depressão. Os efeitos foram severos, mas poderiam ter sido muito piores. Trabalhando em conjunto, os líderes do governo enfrentaram esses desafios e contiveram com sucesso a crise. Sob a liderança sábia e hábil do chairman Bernanke, o Fed ajudou a estabilizar o sistema financeiro, evitar a queda acentuada da economia e retomar o crescimento.

"Hoje a economia está significativamente mais forte e continua a melhorar. O setor privado criou 7,8 milhões de empregos desde o pior momento registrado no pós-crise em 2010. O setor imobiliário, que esteve no centro da crise, parece ter se recuperado --construção, os preços das casas, e as vendas aumentaram significativamente. A indústria automobilística teve uma recuperação impressionante, com produção e vendas no mercado interno de volta para perto de seus níveis pré-crise.

"Fizemos um bom progresso, mas temos de ir mais longe para recuperar o terreno perdido durante a crise e a recessão. O desemprego recuou após atingir o pico de 10 por cento, mas a taxa de 7,3 por cento em outubro ainda é muito alta, refletindo um mercado de trabalho e uma economia muito aquém do seu potencial. Ao mesmo tempo, a inflação está rodando abaixo do objetivo do Federal Reserve de 2 por cento e deverá continuar a fazê-lo por algum tempo.

"Por estas razões, o Federal Reserve está utilizando suas ferramentas de política monetária para promover uma recuperação mais robusta. Uma forte recuperação acabará por permitir que o Fed reduza a expansão monetária e a dependência de instrumentos de política não-convencionais, como a compra de ativos. Acredito que o apoio à recuperação, hoje, é o caminho mais seguro para voltar a uma abordagem mais normal para a política monetária.

"Nas últimas duas décadas, e especialmente sob o comando do chairman Bernanke, o Federal Reserve forneceu mais informações e claras sobre os seus objetivos. Assim como o chairman, eu acredito fortemente que a política monetária é mais eficaz quando o público compreende o que o Fed está tentando fazer e como pretende fazê-lo. A pedido do chairman Bernanke, eu liderei o esforço para adotar uma declaração de objetivos de longo prazo do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), incluindo uma meta de 2 por cento para a inflação. Creio que esta afirmação enviou uma mensagem clara e poderosa sobre o compromisso do Fomc com seus objetivos e ajudou a ancorar as expectativas do público de que a inflação permanecerá baixa e estável no futuro. Neste e em muitos outros aspectos, o Federal Reserve tornou-se uma instituição mais aberta e transparente. Eu apoiei fortemente este compromisso com a abertura e transparência e continuarei a apoiá-lo caso eu seja confirmada para servir como chair.

"A crise revelou fragilidades do nosso sistema financeiro. Acredito que as instituições financeiras, o Federal Reserve e nossos companheiros reguladores têm feito progressos consideráveis ​​em abordar essas fraquezas. Os bancos estão mais fortes hoje, as lacunas regulatórias estão sendo fechadas e o sistema financeiro é mais estável ​​e mais resistente. Salvaguardar os Estados Unidos em um sistema financeiro global requer padrões mais elevados, tanto aqui como no exterior, de modo que o Federal Reserve e outros reguladores têm trabalhado com os nossos colegas de todo o mundo para garantir a melhoria das necessidades de capital e outras reformas no contexto internacional. Hoje, os bancos têm mais e melhores capital e ativos líquidos, o que os deixa muito melhor preparados para resistir à turbulência financeira. Grandes bancos estão agora sujeitos a "testes de estresse" anuais projetados para garantir que eles terão capital suficiente para continuar o papel vital que desempenham na economia, mesmo em circunstâncias muito adversas.

"Nós fizemos um progresso na promoção de um sistema financeiro forte e estável, mas aqui também temos um importante trabalho pela frente. Estou empenhada em utilizar o papel fiscalizador e regulador do Fed para reduzir a ameaça de uma nova crise financeira. Acredito que as regras de capital e de liquidez e a supervisão forte são ferramentas importantes para resolver o problema das instituições financeiras que são consideradas como 'grandes demais para falir'. Na elaboração de novas regras, no entanto, o Fed deve continuar a limitar a carga regulamentar para os bancos comunitários e as instituições menores, levando em conta suas contribuições e papéis distintos. No geral, o Federal Reserve intensificou seu foco na estabilidade financeira e está levando esse objetivo em consideração ao conduzir as suas responsabilidades para a política monetária. Eu apoio estes desenvolvimentos e prometo mantê-los, se confirmada. Nosso país já percorreu um longo caminho desde os dias negros da crise financeira, mas temos que ir mais longe. Da mesma forma, eu acredito que o Federal Reserve tem feito progressos significativos em direção a seus objetivos, mas tem mais trabalho a fazer."