November 18, 2013 / 12:47 PM / 4 years ago

Energia eólica é única fonte vencedora no leilão A-3

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO, 18 Nov (Reuters) - A fonte eólica dominou o leilão de energia A-3 realizado nesta segunda-feira, sendo a única fonte a vender de energia na competição, elevando o número de novos projetos eólicos contratados em leilões públicos em 2013 para cerca de 2,4 gigawatts (GW) de capacidade a ser instalada.

No leilão A-3, que contratou energia a ser entregue a partir de 2016, a energia eólica vendeu energia de 867,6 megawatts (MW) de capacidade instalada de 39 projetos, sendo que fonte já tinha viabilizado a construção de outros 1.505 megawatts (MW) de energia em leilão de reserva realizado em agosto.

"Como a gente já tem mais um leilão A-5 neste ano, tem tudo para que a gente quebre o recorde de contratação de eólica", disse o presidente da Empresa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, em coletiva de imprensa após o leilão. Segundo ele, a maior contratação de novos projetos de energia eólica em um único ano ocorreu em 2011, quando foram viabilizados cerca de 2,9 GW.

Diante da forte contratação de energia eólica no ano de 2013, a indústria de equipamentos deve funcionar com capacidade total, segundo Tolmasquim, que acrescentou que algumas indústrias avaliam ainda a possibilidade de um terceiro turno para dar conta da demanda.

O leilão realizado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) durou menos de 30 minutos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta segunda-feira, sendo que usinas solares, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e térmicas a biomassa também estavam habilitadas para participação.

As usinas eólicas que venderam energia no leilão devem demandar investimentos de 3,4 bilhões de reais, segundo estimativas do governo.

O preço-médio de venda da energia foi de 124,43 reais por megawatt-hora, um deságio de 1,25 por cento frente ao preço máximo estabelecido no certame, de 126 reais por MWh.

O preço mais baixo de energia vendido no leilão foi de 118 reais por MWh, de um parque na Bahia. Já o mais alto, foi de 126 reais por MWh, referente a três projetos no Rio Grande do Sul.

Apesar do pequeno deságio, Tolmasquim disse que o preço teto definido estava correto, já que toda a demanda declarada para o leilão foi atendida.

As usinas eólicas vencedoras no leilão estão localizadas no Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia e Rio Grande do Sul. Os parques contratados têm 380,2 MW médios de garantia física.

O leilão movimentou 7,25 bilhões de reais em contratos de energia, comprada por 28 distribuidoras. A Copel foi a empresa que contratou mais energia, ou 10,51 por cento do total de 58.293.900 megawatts-hora (MWh) contratados no leilão. A goiana Celg realizou a segunda maior contratação, de 9,63 por cento do total.

O leilão tinha 10.460 megawatts (MW) de projetos cadastrados, dos quais 9.191 MW eram de eólicas, 813 MW de solares, 190 MW de pequenas centrais hidrelétricas e 266 MW de térmicas a biomassa. Mas só as eólicas venderam energia, no produto por disponibilidade, por 20 anos.

O leilão era a estreia da fonte solar, que pela primeira vez foi autorizada a participar de um leilão de energia promovido pelo governo, mas agentes do próprio setor já acreditavam que a fonte não conseguiria ser competitiva para vender no leilão.

"Nessa estreia de solar nos leilões, quem levou foi o vento... Mas todas as perspectivas são que o preço da solar continuará a cair. Não tenho dúvida que é uma questão de tempo para a solar entrar na nossa matriz", disse Tolmasquim, que não quis fazer previsões sobre a partir de quanto a energia solar possa vender energia em leilões públicos, em competição com outras fontes.

Por Anna Flavia Rochas

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