OCDE vê mercados emergentes freando recuperação global

terça-feira, 19 de novembro de 2013 10:09 BRST
 

Por Leigh Thomas

PARIS, 19 Nov (Reuters) - A desaceleração dos mercados emergentes está pesando sobre a recuperação econômica mundial e países avançados enfrentam dificuldades para recuperar o ímpeto após anos de crises de dívida, afirmou a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira, reduzindo as projeções de crescimento global.

Em seu último panorama da atividade econômica, a organização com sede em Paris estimou que a economia mundial irá crescer 3,6 por cento no próximo ano.

Embora haja melhora ante o ritmo de 2,7 por cento esperado para 2013, a nova projeção não é tão boa quanto a taxa de 4,0 por cento estimada para 2014 no último relatório bianual de Perspectiva Econômica da organização, datado de maio.

"Nós reduzimos nossas estimativas por muitas razões, mas a mais importante é o rebaixamento do crescimento nos países emergentes", disse à Reuters o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, também citando o comércio mais lento e o investimento fraco.

Padoan disse que as economias avançadas não serão capazes de compensar o ímpeto perdido por muitas das principais economias emergentes, afetadas pelas saídas de capital provocadas pelos planos do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, de frear seu estímulo monetário excepcional.

"Os EUA estão crescendo, mas eles precisam firmar o acordo fiscal deles", acrescentou Padoan. "A zona do euro está se tornando uma região de crescimento positivo novamente, mas em taxas bem fracas, e o Japão está crescendo mais, mas a questão é se isso será sustentável".

A OCDE informou que o Fed deve reduzir suas compras de títulos conforme a atividade se fortalecer no próximo ano, projetando que o crescimento na maior economia do mundo chegará a 2,9 por cento em 2014, seu desempenho mais forte desde 2005, após taxa estimada de 1,7 por cento neste ano.

Apesar da melhora da perspectiva dos EUA, a OCDE vê grande ameaça à recuperação global se os Estados Unidos atingirem o teto de sua dívida, mas acrescentando que há uma "forte chance" dessa hipótese seja descartada.   Continuação...