Co-presidentes do Credit Suisse estão confiantes sobre crescimento

terça-feira, 19 de novembro de 2013 11:35 BRST
 

ZURIQUE, 19 Nov (Reuters) - O Credit Suisse planeja se apoiar mais em sua divisão de private banking, mirando uma fatia maior dos lucrativos clientes ultra-ricos, à medida que uma regulamentação mais dura e mercados voláteis reduzem os retornos sobre atividades de banco de investimento.

"Não temos aproveitado sistematicamente a vantagem de todas as oportunidades que visualizamos com nossos clientes mundialmente", disse à Reuters Robert Shafir, co-presidente de private bank do Credit Suisse, em sua primeira entrevista desde assumir a divisão um ano atrás.

O banco sediado em Zurique planeja aproveitar seu amplo balanço para fazer mais empréstimos a indivíduos ricos e aumentar sua fatia de clientes ultra-ricos, que normalmente possuem patrimônios de mais de 50 milhões de dólares, para cerca da metade do total de ativos que administra, ante os atuais 44 por cento.

"Temos um conjunto de planos bastante ambiciosos em termos de expandir a participação em nossa carteira no lado de passivos do balanço com nossos clientes", disse Shafir.

Para acompanhar o ritmo do número crescente de milionários, Shafir e seu co-presidente Hans-Ulrich Meister tem como objetivo que o segmento de private bank responda por metade dos ativos ponderados por risco (RWA, na sigla em inglês) do grupo, ante a proporção atual de um terço.

"Você lê e ouve muito sobre nosso setor e sua transformação, mas você não ouve tanto sobre seu grande potencial de crescimento", Meister disse à Reuters em uma entrevista separada.

Enquanto as atividades de banco de investimento sofrem com voláteis mercados pós-crise e restrições para assumir riscos, o mercado de private banking está crescendo, com a expectativa de que famílias com mais de 100 milhões de dólares respondam por 11,6 trilhões de dólares da riqueza privada mundial até 2017, crescendo ante os 7,5 trilhões de dólares do ano passado, de acordo com o Boston Consulting Group.

O private bank do Credit Suisse tem sido mais estável que seu banco de investimento, servindo como um amortecedor ao lucro mais volátil de trading. Nos primeiro nove meses deste ano, sua unidade de administração de patrimônios e fortunas registrou 2,8 bilhões de francos suíços (3,1 bilhões de dólares) em lucro antes de impostos, ante os 2,2 bilhões de francos suíços do banco de investimento.

(Por Katharina Bart e Oliver Hirt)

 
Co-presidente de private bank do Credit Suisse, Robert Shafir, gesticula durante entrevista com a Reuters em Zurique, na Suíça. O Credit Suisse planeja se apoiar mais em sua divisão de private banking, mirando uma fatia maior dos lucrativos clientes ultra-ricos, à medida que uma regulamentação mais dura e mercados voláteis reduzem os retornos sobre atividades de banco de investimento. 12/11/2013. REUTERS/Arnd Wiegmann