Grupo Hermes desiste do Comprafacil.com e quer leiloar marca

terça-feira, 19 de novembro de 2013 19:27 BRST
 

SÃO PAULO, 19 Nov (Reuters) - Com dívidas somando quase 600 milhões de reais, o grupo Hermes, dono do site Comprafacil.com, irá se desfazer do negócio de varejo online e se dedicar exclusivamente à venda por catálogos de utensílios domésticos, roupas e outros artigos, atividade exercida pela companhia desde a década de 1940.

Em entrevista à Reuters, o diretor de operações do grupo, José Luiz Volpini, afirmou que a estratégia faz parte da reestruturação da empresa, que entrou com pedido de recuperação judicial na véspera, no Rio de Janeiro.

"O e-commerce é que causou essa situação. Estamos descontinuando porque é negócio de capital intensivo: você compra (produto) pra pagar em 90 dias, mas recebe (do cliente) em 12 meses", disse.

"A infraestrutura urbana no Brasil é péssima. O processo de entrega é complexo e corrói margens. É preciso escala muito grande para suportar coisas como essas", observou o executivo. "Estamos assumidamente dizendo que não é para o nosso tamanho".

Agora, a companhia deverá leiloar a marca Comprafacil.com, disse Volpini, acreditando no apelo do nome. O site, que registrou vendas anuais na casa de 1,5 bilhão de reais, continuará em operação até lá, mas com o estoque reduzido. Ativos físicos deverão ser leiloados separadamente.

Antes da decisão, o negócio de varejo online já havia sido ofertado a empresas como a Nova Pontocom, da ViaVarejo, segundo fonte do setor com conhecimento do assunto.

Sem citar potenciais compradores, Volpini afirmou que a administração espera uma venda mais fácil no cenário de recuperação judicial, que isenta interessados de lidar com riscos trabalhistas ou de sucessão.

A administração do sites de terceiros também será descontinuada pelo Grupo Hermes, que chegou a operar as lojas online de empresas como Som Livre, Ipiranga, Globo Marcas e Ambev.

Na semana passada, inclusive, a B2W, dona de bandeiras como Submarino, Shoptime e Americanas.com, anunciou ter vencido a concorrência para a operação da Ambev na Internet. Volpini, no entanto, negou que o fato tenha influenciado o pedido de recuperação judicial da empresa.   Continuação...