ENTREVISTA-Marfrig pode buscar mercado de bônus se custo de empréstimos cair

quarta-feira, 20 de novembro de 2013 17:32 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal

NOVA YORK, 20 Nov (Reuters) - A Marfrig Alimentos, segunda maior empresa do setor de bovinos no Brasil, irá buscar o mercado internacional de bônus apenas se os custos de empréstimos caírem consideravelmente, já que a companhia não possui nenhum pagamento significativo de dívida nos próximos três anos, disse Sergio Rial, que irá assumir a presidência da companhia no começo de 2014, nesta quarta-feira.

A Marfrig irá adotar uma "aproximação oportunista" em acessar os mercados de bônus, e pode apenas vender nova dívida se os spreads, ou a diferença entre os custos de empréstimo da empresa e aqueles da dívida do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento equivalente, reduza a pelo menos um ponto percentual, disse Rial em Nova York.

As declarações do executivo destacam o foco da Marfrig em reduzir seus custos de dívida, ampliar as margens em suas três unidades e controlar gastos com vendas, gerais e administrativas para retornar a lucratividade.

O prejuízo líquido da Marfrig no terceiro trimestre caiu 60 por cento para 194 milhões de reais conforme Rial reformulou as operações e orquestrou a venda da unidade de carnes de ave Seara para a rival JBS.

"Não enfrentamos pagamentos iminentes de dívida nos próximos três anos, e conseguimos elevar o caixa, o que nos deixa em uma posição muito confortável no campo de dívida", disse o executivo nos bastidores de um evento com investidores patrocinado pelo banco de investimentos Bradesco BBI.

Atualmente, o rendimento no bônus da Marfrig de 11,25 por cento com vencimento em setembro de 2021 está em torno de 11,70 por cento. O spread relativo ao bônus do Tesouro dos EUA de sete anos está em cerca de 9,5 pontos percentuais, segundo dados da Thomson Reuters.

DESALAVANCAGEM

Os investidores estão preocupados com o ritmo de desalavancagem da Marfrig e esperam que Rial entregue mais do que o seu antecessor, Marcos Molina. As ações da Marfrig acumulam queda de 51 por cento neste ano, com a maior parte da queda ocorrendo desde julho, depois da transação envolvendo a Seara.   Continuação...