ESPECIAL-Agricultores do Brasil se preparam para batalha contra praga exótica

quinta-feira, 21 de novembro de 2013 17:26 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) - Produtores rurais brasileiros preparam-se para uma batalha nesta safra contra uma lagarta que ameaça impor prejuízos bilionários nas lavouras de soja, milho e algodão do país.

A lagarta Helicoverpa armigera é uma praga que até pouco tempo não existia nas Américas e que atacou com força pela primeira vez no Brasil na safra passada (2012/13), surpreendendo pelo seu poder de destruição.

Os relatos mais contundentes vieram do oeste da Bahia. Junto com a seca, as lagartas geraram perdas de 2 bilhões de reais nas três principais culturas da região, segundo cálculos de uma associação local. E agora --com o plantio de soja passando de 70 por cento no país-- a lagarta preocupa agricultores em diversos Estados.

No início da semana, o Ministério da Agricultura decretou estado de emergência fitossanitária em Mato Grosso, principal produtor de grãos no país, abrindo espaço para ações mais contundentes de combate ao inseto.

"Tivemos soja nascendo já sendo atacada por lagarta grande. Ela não surgiu na soja, veio de herança das culturas de entressafra", contou o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Nery Ribas.

As lagartas começaram a ser detectadas em Mato Grosso ao longo de 2013, na entressafra, e já levaram a um aumento nas projeções de custos dos produtores.

"O número de aplicações de inseticidas deve, fatalmente, aumentar", lembra Ribas.

As estimativas de custos feitas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária para a safra 2013/14 de soja subiram nos últimos meses por incluir, entre outros fatores, o maior uso de defensivos.   Continuação...

 
A lagarta helicoverpa armigera repousa no polegar de um técnico em laboratório em Melbourne, Austrália. Produtores rurais brasileiros preparam-se para uma batalha nesta safra contra uma lagarta que ameaça impor prejuízos bilionários nas lavouras de soja, milho e algodão do país. 18/06/2008 REUTERS/Mick Tsikas