Política de preço de combustíveis pode gerar investimento em refino no Brasil, diz IBP

quinta-feira, 21 de novembro de 2013 17:49 BRST
 

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 21 Nov (Reuters) - A nova política de preços para combustíveis requerida pela Petrobras ao governo abre caminho para investimentos em refino no Brasil por outras empresas além da estatal brasileira, afirmou nesta quinta-feira o representante das petroleiras no país.

Reajustes de preços automáticos como defende a Petrobras dariam a segurança que outros players do setor de petróleo precisam para participar de projetos de refinarias, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), João Carlos De Luca.

"Esta nova política pode ser sim importante para atração de novos investimentos em refino", disse De Luca, ao ser indagado sobre o tema durante entrevista a jornalistas na sede do IBP.

O mercado de produção de combustíveis foi aberto à iniciativa privada há cerca de 15 anos, mas a Petrobras continua atendendo sozinha a quase toda demanda por derivados do País.

"Esta previsibilidade nos preços é extremente importante. Para a Petrobras, que tem uma carteira de projetos enorme... E também porque pode ser uma garantia a outros atores do mercado para participar deste mercado de refino ... a Petrobras represa preços atualmente."

A Petrobras reajusta periodicamente os preços de combustíveis como nafta e querosene de aviação de acordo com as cotações do petróleo no mercado internacional. Mas gasolina e diesel, que provocam forte impacto na inflação, não têm os preços ajustados com a mesma frequência, seja para cima ou para baixo.

Pressionada por investimentos pesados no pré-sal e na construção de novas refinarias, a Petrobras submeteu ao seu Conselho de Administração uma nova política de preços que prevê reajustes automáticos e periódicos de combustíveis, conforme a necessidade de alinhamento com os valores praticados no mercado internacional.

A atual política de preços da Petrobras, com reajustes esporádicos que não acompanham valores internacionais no curto prazo e provocam defasagem, está afetando a companhia num momento em que a empresa vem importando derivados para fazer frente ao crescimento do consumo brasileiro, principalmente por diesel.

Por outro lado, a equipe econômica teme a indexação na economia e impacto na inflação.

A metodologia está sob análise do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e demais membros do conselho da estatal, e deverá ser aprovada ou rejeitada na próxima semana, em reunião do Conselho. Inicialmente marcada para o dia 22, a reunião foi adiada para o dia 28 ou 29 de novembro.